Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente de 3 meses apresenta tosse há aproximadamente 15 dias. Mãe refere que os episódios de tosse são em crise, sem secreção, seguidas de engasgos e vômitos. Teve febre apenas no início do quadro. Antecedentes pessoais: nasceu a termo, parto normal, sem intercorrências. Ao exame: frequência respiratória de 63 ipm, com alguns roncos e estertores crepitantes difusos a ausculta, sem sinais de desconforto respiratório. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar terapia anti-viral.
  2. B) O achado radiológico compatível com o quadro é uma opacidade localizada.
  3. C) Hemograma com linfopenia corrobora com o diagnóstico.
  4. D) Deve-se iniciar ampicilina e gentamicina por via endovenosa.
  5. E) O tratamento e a quimioprofilaxia são as mesmas drogas e doses.

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes: tosse paroxística com engasgos/vômitos; tratamento e profilaxia com macrolídeos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse paroxística seguida de engasgos e vômitos em lactente de 3 meses, com febre inicial, é altamente sugestivo de coqueluche. O tratamento e a quimioprofilaxia para contatos próximos são realizados com os mesmos macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina), nas mesmas doses, para erradicar a bactéria e reduzir a transmissão.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, particularmente grave em lactentes menores de 6 meses. Sua importância reside na alta morbimortalidade nessa faixa etária, apesar da vacinação. O reconhecimento precoce é fundamental para iniciar o tratamento e implementar medidas de controle de infecção. A doença evolui em três fases: catarral (sintomas inespecíficos como coriza e tosse leve), paroxística (tosse intensa em crises, com engasgos, vômitos e, por vezes, guincho inspiratório) e convalescença. Em lactentes, a fase paroxística pode ser atípica, com apneia e cianose predominando. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por cultura de nasofaringe ou PCR. A linfocitose no hemograma é um achado comum. O tratamento e a quimioprofilaxia são realizados com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina). É crucial tratar o paciente e quimioprofilaxiar os contatos próximos, especialmente aqueles de alto risco, para reduzir a transmissão. A vacinação é a principal medida preventiva, e o reforço em gestantes (dTpa) é essencial para proteger o recém-nascido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche manifesta-se com tosse paroxística prolongada, muitas vezes seguida de engasgos, vômitos pós-tosse e, em alguns casos, cianose ou apneia. O guincho inspiratório pode estar ausente em bebês menores.

Qual o tratamento de escolha para coqueluche e por que é importante a quimioprofilaxia?

O tratamento de escolha são os macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina). A quimioprofilaxia com os mesmos medicamentos é crucial para contatos próximos, especialmente lactentes e gestantes, para prevenir a disseminação da doença e proteger grupos vulneráveis.

Quais são os achados laboratoriais e radiológicos esperados na coqueluche?

O hemograma pode mostrar leucocitose com linfocitose absoluta. A radiografia de tórax geralmente é normal ou pode apresentar infiltrados perihilares ou atelectasias, mas não é diagnóstica e não mostra opacidade localizada típica de pneumonia bacteriana comum.

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