Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento Essencial

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Lactente de 3 meses, nascido de parto normal, iniciou há 20 dias com tosse, coriza e febre baixa. Evolui com melhora da febre, porém com piora da tosse, caracterizada por acessos súbitos de tosse seca, acompanhados por cianose perioral e vômitos. Apresenta hemograma com linfocitose e a radiografia de tórax com infiltrado para-cardíaco bilateral.De acordo com a principal suspeita etiológica, o tratamento deve ser com:

Alternativas

  1. A) corticoide oral e inalações com broncodilatador.
  2. B) oseltamivir.
  3. C) penicilina cristalina.
  4. D) ceftriaxone.
  5. E) claritromicina.

Pérola Clínica

Lactente com tosse paroxística, cianose, vômitos + linfocitose → Coqueluche = Claritromicina.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes é uma doença grave, caracterizada por tosse paroxística, cianose e vômitos pós-tosse, com linfocitose no hemograma. O tratamento de escolha é com macrolídeos, como a claritromicina, para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente grave, especialmente em lactentes não vacinados ou com vacinação incompleta. A doença evolui em três fases: catarral (sintomas inespecíficos), paroxística (tosse intensa, cianose, vômitos pós-tosse) e convalescença. Em lactentes, a apresentação pode ser atípica, com apneia e ausência do clássico "guincho" inspiratório, tornando o diagnóstico um desafio. O diagnóstico da coqueluche é primariamente clínico, baseado na história de tosse paroxística, cianose e vômitos. Achados laboratoriais como linfocitose no hemograma e radiografia de tórax com infiltrado para-cardíaco bilateral (sinal de "coração felpudo") podem reforçar a suspeita. A confirmação laboratorial é feita por cultura de secreção nasofaríngea ou PCR, sendo o PCR mais sensível e rápido. A alta contagiosidade e a gravidade em lactentes justificam a profilaxia e o tratamento precoce. O tratamento da coqueluche tem como objetivo erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade. Macrolídeos, como a claritromicina, azitromicina ou eritromicina, são os antibióticos de escolha. A claritromicina é preferida em lactentes devido ao menor risco de estenose pilórica hipertrófica em comparação com a eritromicina. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente na fase catarral, para ser mais eficaz na redução da gravidade e duração dos sintomas. O suporte respiratório e nutricional é fundamental em casos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística intensa, cianose perioral durante os acessos, vômitos pós-tosse e, por vezes, apneia. O guincho inspiratório pode estar ausente em bebês muito jovens.

Por que a claritromicina é o tratamento de escolha para coqueluche?

A claritromicina, um macrolídeo, é eficaz contra a Bordetella pertussis, a bactéria causadora da coqueluche. Ela ajuda a erradicar o patógeno do trato respiratório, reduzindo a transmissibilidade e a gravidade da doença se iniciada precocemente.

Qual o papel da linfocitose no diagnóstico da coqueluche?

A linfocitose, ou aumento do número de linfócitos no hemograma, é um achado laboratorial comum e característico da coqueluche, especialmente na fase paroxística, e pode auxiliar no diagnóstico diferencial.

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