Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento com Azitromicina

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente, sexo feminino, 2 meses de idade, foi levada ao pronto atendimento por quadro de tosse seca, obstrução nasal e coriza hialina há 4 dias. Tem evoluído com piora progressiva da tosse, em alguns momentos com vómitos pós-tosse, e piora do cansaço há 1 dia. Sem febre, sem alterações intestinais ou urinárias. Ao exame, criança em regular estado geral, desidratada de algum grau, ausculta pulmonar com roncos esparsos, presença de tiragem subdiafragmática moderada, frequência respiratória de 58 irpm, saturação de 90% em ar ambiente, pele com algumas petéquias exclusivamente na face. Sem outras alterações relevantes ao exame clínico. Optado pela coleta de exames, com Hb 12,4 g/dL, Ht 38,2%, leucócitos: 26300 (12,2% neutrófilos, 0,5% basófilos, 82,6% linfócitos, 5% monócitos), plaquetas: 327000, proteína C reativa de 32,1 mg/dL, radiografia de tórax conforme imagem a seguir. Tendo em vista o diagnóstico mais provável, o tratamento de escolha deve ser realizado com:

Alternativas

  1. A) Ampicilina.
  2. B) Dexametasona.
  3. C) Amicacina.
  4. D) Azitromicina.
  5. E) Apenas medidas de suporte.

Pérola Clínica

Lactente < 6m + tosse paroxística/vômitos pós-tosse + linfocitose + petéquias faciais → Coqueluche. Tratamento = Macrolídeos (Azitromicina).

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens é uma doença grave, caracterizada por tosse paroxística intensa, muitas vezes seguida de vômitos e cianose. A linfocitose absoluta é um achado laboratorial clássico. O tratamento com macrolídeos (azitromicina) é crucial para reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente grave, especialmente em lactentes jovens. Nesses pacientes, a apresentação clínica pode ser atípica, com menor frequência do guincho inspiratório clássico, mas com tosse paroxística intensa, episódios de apneia, cianose e vômitos pós-tosse, que podem levar à desidratação e à exaustão. As petéquias faciais são um sinal de esforço da tosse. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de tosse prolongada e paroxística, mas pode ser confirmado por cultura de nasofaringe, PCR ou sorologia. Laboratorialmente, a linfocitose absoluta é um achado clássico e muito sugestivo, como visto no caso (leucocitose com predomínio linfocitário). A radiografia de tórax geralmente mostra infiltrados perihilares ou atelectasias, mas não é específica. O tratamento de escolha para coqueluche são os antibióticos macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina. A azitromicina é frequentemente preferida em lactentes devido à sua posologia mais conveniente e menor incidência de efeitos gastrointestinais. O tratamento precoce, idealmente na fase catarral, é crucial para reduzir a gravidade da doença e, principalmente, para diminuir a transmissibilidade, protegendo contatos próximos e a comunidade. Medidas de suporte, como hidratação e oxigenoterapia, são essenciais para o manejo dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche pode apresentar-se com tosse paroxística intensa, muitas vezes seguida de guincho inspiratório (embora menos comum em <6m), vômitos pós-tosse, apneia, cianose e, em casos graves, petéquias faciais devido ao esforço da tosse.

Por que a azitromicina é o tratamento de escolha para coqueluche?

A azitromicina, um macrolídeo, é o tratamento de escolha para coqueluche porque é eficaz contra a Bordetella pertussis, reduzindo a duração da fase catarral e, mais importante, diminuindo a transmissibilidade da doença. É bem tolerada em lactentes.

Qual a importância da linfocitose no diagnóstico da coqueluche?

A linfocitose absoluta, com contagem elevada de leucócitos e predomínio de linfócitos, é um achado laboratorial característico da coqueluche, especialmente em lactentes, e serve como um forte indício diagnóstico em conjunto com os sintomas clínicos.

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