Sarampo: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave em Pediatria

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Lactente de 8 meses, sexo masculino, foi atendido no posto de saúde em Ribeirão Preto no final de agosto de 2019, com história de apresentar febre alta há 3 dias, a cada 6 a 8 horas (temperatura axilar de até 38,5°C - 39,5°C), em uso de dipirona. Mãe relata coriza e tosse que vem se tornando produtiva.Bom crescimento e desenvolvimento. Aleitamento materno até 4 meses, com fórmula infantil 2º semestre, papas e frutas. Vacinação lactente está em dia.Convive com a mãe de 26 anos e avó materna, que estão bem de saúde. A criança esteve em contato com tio materno, de 37 anos; este apresentou, há 7 dias, manchas vermelhas pelo corpo e olhos vermelhos; atualmente já sem febre, mas ainda tossindo e com a pele descamando. O tio, que viajou para São Paulo para um curso de final de semana, teve exame de dengue negativo.Ao exame físico o lactente encontra-se febril, em regular estado geral, não queria comer e estava mamando pouco. Conjuntivas e faringe hiperemiadas, narinas com secreção mucóide abundante, além de enantema puntiforme esbranquiçado na região julgal da boca; gânglios cervicais e axilares palpáveis; pulmões com roncos à ausculta pulmonar, mobilizados com a tosse. Amanheceu com manchas retroauriculares eritematosas.Diante do quadro clínico o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Sarampo
  2. B) Enterovirose
  3. C) Rubéola
  4. D) Exantema súbito

Pérola Clínica

Febre alta + tosse, coriza, conjuntivite + manchas de Koplik + exantema retroauricular → Sarampo.

Resumo-Chave

O quadro clássico de sarampo inclui febre alta, tosse, coriza e conjuntivite (os "4 Cs") no período prodrômico, seguido pelo aparecimento das manchas de Koplik (enantema esbranquiçado na mucosa jugal) e, posteriormente, o exantema maculopapular que se inicia retroauricular e se espalha. O histórico de contato com caso suspeito reforça o diagnóstico.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo (Morbillivirus). Apesar da disponibilidade da vacina, surtos ainda ocorrem em áreas com baixa cobertura vacinal, tornando seu reconhecimento crucial para a saúde pública. A doença é transmitida por gotículas respiratórias e tem um período de incubação de 10 a 12 dias. O quadro clínico típico do sarampo começa com um período prodrômico de 3 a 5 dias, caracterizado por febre alta, mal-estar, tosse seca, coriza e conjuntivite (os '4 Cs'). Durante este período, as manchas de Koplik, enantema puntiforme esbranquiçado na mucosa jugal, são patognomônicas e aparecem 1 a 2 dias antes do exantema. O exantema maculopapular eritematoso surge inicialmente na região retroauricular e face, espalhando-se progressivamente para o tronco e extremidades, tornando-se confluente. A descamação da pele é comum na fase de recuperação. O diagnóstico do sarampo é predominantemente clínico, especialmente em cenários de surto. A história de contato com um caso suspeito e a presença dos sinais clássicos (febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema retroauricular com progressão cefalocaudal) são altamente sugestivos. A vacinação em dia do lactente não exclui o diagnóstico, pois a imunidade pode não ser completa ou o contato pode ter ocorrido antes da proteção total. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente o sarampo para iniciar medidas de controle e notificação epidemiológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do sarampo?

O sarampo se manifesta com um período prodrômico de 3-5 dias, caracterizado por febre alta, tosse, coriza e conjuntivite (os '4 Cs'). Em seguida, surgem as manchas de Koplik na mucosa oral, e depois o exantema maculopapular, que começa na face e retroauricular, espalhando-se para o tronco e extremidades.

O que são as manchas de Koplik e qual sua importância diagnóstica?

As manchas de Koplik são pequenas lesões esbranquiçadas, puntiformes, com halo eritematoso, que aparecem na mucosa jugal (bochecha) antes do exantema. São patognomônicas do sarampo e um sinal diagnóstico precoce crucial.

Como diferenciar sarampo de outras doenças exantemáticas?

O sarampo se diferencia pela intensidade do pródromo (febre alta, tosse intensa, conjuntivite), a presença das manchas de Koplik e a progressão cefalocaudal do exantema. Rubéola tem pródromo mais brando e exantema mais fugaz. Exantema súbito tem febre alta que cede antes do exantema.

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