Coqueluche no Lactente: Diagnóstico e Prevenção com dTpa

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 1 mês e 20 dias, nascido a termo, sem intercorrências no período neonatal e previamente saudável, é levado ao pronto atendimento com quadro de tosse há 10 dias. Nos últimos 3 dias, a mãe relata que a tosse se tornou mais intensa, em crises paroxísticas, acompanhadas de hiperemia facial, seguidas de vômitos alimentares e episódios de cianose perioral durante as crises. Refere ainda que o bebê apresenta dificuldade para se alimentar e períodos de choro fraco e irritabilidade. Não há relato de febre. O lactente não frequenta creche, mas tem dois irmãos em idade escolar com quadro de tosse prolongada. Ao exame, lactente irritado, alternando períodos de choro e sonolência leve, presença de acesso de tosse em salva durante o exame, seguido de vômito, com recuperação lenta da coloração. FC: 168 bpm; FR: 54 irpm; SatO₂₂: 91% em ar ambiente; Temperatura: 36,8°C. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular preservado, sem estertores ou sibilos. Considerando o quadro clínico e a epidemiologia, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é bronquiolite viral aguda; a principal medida de prevenção em recém-nascidos é o isolamento domiciliar.
  2. B) O diagnóstico mais provável é pneumonia bacteriana; a principal medida de prevenção em recém-nascidos é a vacinação ao nascer.
  3. C) O diagnóstico mais provável é coqueluche; a principal medida de prevenção em recém-nascidos é o aleitamento materno exclusivo.
  4. D) O diagnóstico mais provável é coqueluche; a principal medida de prevenção em recém-nascidos é a vacinação da gestante com dTpa.
  5. E) O diagnóstico mais provável é bronquiolite viral aguda; a principal medida de prevenção em recém-nascidos é a vacinação com Palivizumabe.

Pérola Clínica

Lactente com tosse paroxística + cianose/vômito + sem febre = Coqueluche. Prevenção → dTpa na gestação.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens é grave e cursa com crises de tosse em salva e apneia. A principal estratégia de proteção neonatal é a transferência transplacentária de anticorpos via vacinação materna com dTpa.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria *Bordetella pertussis*, permanece um desafio de saúde pública, especialmente em lactentes menores de 6 meses que ainda não completaram o esquema primário de vacinação (Pentavalente). O quadro clínico clássico inclui acessos de tosse paroxística seguidos por um 'guincho' inspiratório, vômitos e, em bebês pequenos, episódios de apneia e cianose. O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico, podendo ser confirmado por PCR ou cultura de secreção de nasofaringe. A principal medida preventiva para proteger essa faixa etária vulnerável é a vacinação da gestante com a vacina dTpa a partir da 20ª semana de gestação. Além disso, a 'estratégia casulo', que consiste em vacinar todos os contatos próximos do recém-nascido, é fundamental para reduzir a circulação do patógeno no ambiente domiciliar.

Perguntas Frequentes

Quais as fases clínicas da coqueluche?

A doença evolui em três fases: catarral (sintomas gripais leves e alta transmissibilidade), paroxística (crises de tosse em salva, guincho inspiratório, cianose e vômitos) e convalescença (melhora gradual).

Por que a vacina dTpa é feita na gestante?

O objetivo é permitir a passagem transplacentária de anticorpos IgG específicos contra a coqueluche para o feto, garantindo proteção passiva nos primeiros meses de vida, antes que o bebê complete o esquema vacinal primário.

Qual o tratamento de escolha para coqueluche?

O tratamento é feito com macrolídeos. A Azitromicina é a primeira escolha, especialmente em lactentes menores de 1 mês, visando reduzir a transmissibilidade e a gravidade dos sintomas se iniciada precocemente.

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