INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um lactente, com 9 meses de idade, procedente da zona rural, chega à Unidade Básica de Saúde (UBS) com quadro de diarreia líquido-pastosa, sem muco e/ou sangue, com 4-5 evacuações ao dia, acompanhada de febre baixa (37,5°C), que se iniciou há 2 dias. A alimentação é feita com leite materno e complementação adequada. O calendário vacinal encontra-se em dia e a curva de crescimento dentro dos parâmetros da normalidade. A mãe estava fazendo uso de soro caseiro e observou que o lactente vinha recusando a alimentação nas últimas 24 horas. Ao exame físico o lactente apresentava letargia, olhos fundos e sinal da prega com retorno lento ao estado anterior. De acordo com as diretrizes do Programa de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), do Ministério da Saúde do Brasil, qual a classificação do quadro diarreico e a conduta terapêutica?
Letargia + Olhos fundos + Sinal da prega lento (>2s) = Desidratação Grave → Referência Urgente.
Lactentes com sinais de perigo (letargia) e sinais clássicos de perda volêmica grave devem ser classificados como desidratação grave e encaminhados imediatamente para terapia parenteral.
A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) é uma estratégia da OMS/UNICEF adotada pelo Brasil para reduzir a mortalidade infantil. Ela utiliza uma abordagem baseada em sinais clínicos para classificar a gravidade das doenças e padronizar condutas. Na diarreia aguda, a avaliação do estado de hidratação é a prioridade. A diferenciação entre desidratação moderada e grave é vital: enquanto a primeira pode ser tratada na UBS com supervisão (Plano B), a desidratação grave representa uma emergência médica com risco de óbito por choque, exigindo suporte hospitalar e expansão volêmica rápida.
O AIDPI classifica como desidratação grave (ou muito grave) se o lactente apresentar pelo menos dois dos seguintes sinais: letargia ou inconsciência, olhos fundos, incapacidade de beber ou beber muito mal, e sinal da prega com retorno muito lento (mais de 2 segundos). A presença de letargia é um sinal de alerta crítico para hipoperfusão cerebral.
A conduta para desidratação grave envolve a estabilização imediata e referência urgente para ambiente hospitalar. Se a UBS tiver recursos, inicia-se a hidratação venosa (fase de expansão) imediatamente. Caso contrário, deve-se garantir o transporte rápido com monitorização, podendo-se tentar sonda nasogástrica se o acesso venoso for impossível e o transporte demorar.
A recusa alimentar ou incapacidade de beber líquidos é um critério de gravidade que impede o sucesso do Plano B (reidratação oral). Em um lactente com diarreia, a incapacidade de repor perdas por via oral acelera a progressão para o choque hipovolêmico, exigindo intervenção parenteral urgente.
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