HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente, sexo feminino, com 40 dias de idade, é trazida ao ambulatório para consulta de rotina. Nascida a termo, com peso adequado, ela recebeu a vacina BCG com 4 dias de vida. Durante a consulta, a mãe aponta que há um pequeno nódulo indolor na região de aplicação da vacina, no braço direito, que evoluiu com uma úlcera de aproximadamente 6 mm, sem sinais de inflamação ao redor. Relata que o achado surgiu há cerca de 10 dias e tem evoluído lentamente. A mãe está preocupada e pergunta se é necessário tratar a lesão. A lactente encontra-se em bom estado geral, sem febre ou comprometimento sistêmico. Com base no caso apresentado, qual é a conduta mais apropriada em relação à lesão apontada pela mãe?
BCG: Pápula → Pústula → Úlcera (até 10mm) → Cicatriz = Evolução Normal.
A úlcera vacinal da BCG é uma etapa fisiológica da resposta imune ao Mycobacterium bovis atenuado, não exigindo tratamento se menor que 10mm e sem sinais flogísticos.
A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é composta por bacilos vivos atenuados do Mycobacterium bovis. No Brasil, é aplicada rotineiramente ao nascimento para prevenir formas graves de tuberculose (miliar e meníngea). A resposta inflamatória local é necessária para a eficácia vacinal, e o conhecimento de sua cronologia evita iatrogenias. O diagnóstico diferencial de úlceras maiores ou persistentes inclui a infecção secundária (raro sem sinais flogísticos exuberantes) e a reação ao bacilo em pacientes com imunodeficiências primárias (como a Imunodeficiência Combinada Grave). No entanto, para uma úlcera de 6mm em um lactente hígido de 40 dias, a conduta é exclusivamente expectante e educativa.
A evolução da vacina BCG é lenta e característica. Geralmente, inicia-se com uma pápula no local da aplicação, que evolui para uma pústula entre a 3ª e 4ª semana. Posteriormente, ocorre a formação de uma úlcera (geralmente entre a 4ª e 6ª semana) com diâmetro de 4 a 10 mm. A crosta se forma e cai, deixando a cicatriz definitiva por volta da 6ª a 12ª semana após a vacinação. Todo esse processo é considerado normal e esperado.
Consideram-se reações adversas que necessitam de avaliação: úlceras com diâmetro superior a 10 mm que não cicatrizam após 12 semanas, abscessos subcutâneos frios, linfadenopatia regional supurada (geralmente axilar) ou disseminação do bacilo (em imunodeficientes). Nestes casos, pode ser necessário o uso de isoniazida, mas nunca para a evolução ulcerosa padrão descrita no calendário vacinal.
A orientação fundamental é manter o local limpo apenas com água e sabão durante o banho. Não se deve utilizar pomadas, antibióticos, curativos oclusivos ou antissépticos, pois estes podem interferir na resposta imunológica local ou retardar a cicatrização natural. A mãe deve ser tranquilizada de que a saída de secreção clara ou purulenta em pequena quantidade faz parte do processo de cicatrização.
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