Coqueluche: Tratamento com Macrolídeos e Evolução da Tosse

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Lactente de um ano e dois meses iniciou há uma semana com quadro de febre baixa, coriza hialina e recusa alimentar. Há dois dias apresenta acessos de tosse em salva, que são finalizados por inspiração forçada e prolongada, e vômitos. Entre os períodos fica com quadro estável, alimentando-se regularmente. Irmão mais velho com quadro de tosse há duas semanas, no momento melhor. Ao exame afebril, ausculta pulmonar com roncos, frequência respiratória de 30, frequência cardíaca de 120. Saturando 96% em ar ambiente. Raio X de tórax com discreto infiltrado perihilar bilateral. Hemograma com 21.000 leucócitos, 6 bastonetes, 32 segmentados e 55 linfócitos. Plaquetas 250.000. Em relação ao caso analise as assertivas abaixo. I – Este paciente deve ser medicado com antibióticos macrolídeos. PORQUE; II - Eles diminuem o tempo de duração da tosse.

Alternativas

  1. A)  As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa daprimeira.
  2. B)  As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativada primeira.
  3. C)  A asserção I é uma proposição verdadeira e a asserção II é uma proposição falsa.
  4. D)  A asserção I é uma proposição falsa e a asserção II é uma proposição verdadeira.
  5. E)  As asserções I e II são proposições falsas.

Pérola Clínica

Coqueluche → Macrolídeos para erradicar bactéria, não para ↓ duração da tosse paroxística.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse em salva com inspiração forçada e vômitos pós-tosse, associado à linfocitose, é altamente sugestivo de coqueluche. Macrolídeos (como azitromicina) são indicados para erradicar a Bordetella pertussis e reduzir a transmissão, mas não alteram significativamente a duração da fase paroxística da tosse, que é mediada por toxinas.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, caracterizada por acessos de tosse paroxística ("tosse em salva") seguidos por uma inspiração forçada e prolongada (guincho) e, frequentemente, vômitos pós-tosse. É particularmente grave em lactentes não vacinados ou parcialmente vacinados, podendo levar a complicações sérias como pneumonia, apneia e encefalopatia. O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial (cultura ou PCR de secreção nasofaríngea), e o hemograma pode revelar linfocitose. O tratamento da coqueluche com antibióticos macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) é crucial. A assertiva I ("Este paciente deve ser medicado com antibióticos macrolídeos") é verdadeira, pois o paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de coqueluche, e o tratamento é indicado para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, especialmente para proteger contatos e prevenir a disseminação. Contudo, a assertiva II ("Eles diminuem o tempo de duração da tosse") é falsa. Embora os macrolídeos sejam eficazes na erradicação da bactéria, se iniciados na fase paroxística (como no caso, após uma semana de sintomas), eles geralmente não alteram significativamente a duração ou a intensidade da tosse, que é mediada por toxinas já liberadas e que causam dano epitelial. O benefício principal nessa fase é a redução da transmissibilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases clínicas da coqueluche e suas características?

A coqueluche tem três fases: catarral (sintomas inespecíficos de resfriado), paroxística (tosse em salva, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse) e convalescença (diminuição gradual da tosse).

Por que os macrolídeos são o tratamento de escolha para coqueluche?

Macrolídeos (azitromicina, claritromicina, eritromicina) são eficazes na erradicação da Bordetella pertussis, reduzindo a transmissibilidade da doença e a gravidade se iniciados precocemente na fase catarral.

O tratamento com antibióticos encurta a duração da tosse na coqueluche?

Se iniciado na fase catarral, o tratamento pode encurtar a duração e a gravidade da tosse. No entanto, se iniciado na fase paroxística, os antibióticos têm pouco efeito na duração da tosse, que é mediada por toxinas já liberadas, mas ainda são importantes para reduzir a transmissibilidade.

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