INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 57 anos de idade, portadora de diabetes tipo II não controlado, apresenta quadro de febre associada a dor, edema e eritema de limites mal definidos em coxa esquerda, medindo 20 cm em seu maior diâmetro. Ao exame físico: temperatura axilar = 38,9°C, FC = 110 bpm, FR = 21 irpm, PA = 120 x 70 mmHg. Entre as opções abaixo, que exame laboratorial é indicativo da gravidade do comprometimento tecidual no quadro infeccioso?
Lactato sérico ↑ = marcador de hipoperfusão tecidual e gravidade sistêmica na sepse.
Em quadros infecciosos graves, o lactato reflete o metabolismo anaeróbico decorrente da má perfusão periférica, sendo um indicador precoce de disfunção orgânica e choque séptico.
O manejo da sepse e do choque séptico exige identificação precoce de hipoperfusão. O lactato sérico é o biomarcador de escolha para triagem de gravidade (Sepsis-3). Em pacientes com celulite extensa e sinais de resposta inflamatória sistêmica (febre, taquicardia, taquipneia), a elevação do lactato sugere que a infecção não é mais apenas local. O 'clearance' de lactato (sua redução após medidas terapêuticas como expansão volêmica) também é utilizado como alvo terapêutico para guiar a ressuscitação hemodinâmica nas primeiras horas do atendimento de urgência.
O lactato é um subproduto do metabolismo anaeróbico. Em estados de sepse ou choque, a oferta de oxigênio aos tecidos (DO2) torna-se insuficiente para suprir a demanda metabólica celular. Isso força as células a utilizarem a via glicolítica anaeróbica para produzir energia, resultando na produção excessiva de lactato. Portanto, níveis elevados de lactato sérico (> 2 mmol/L) são marcadores diretos de hipoperfusão tecidual e disfunção metabólica, correlacionando-se fortemente com maior mortalidade e necessidade de cuidados intensivos.
A Proteína C Reativa (PCR) é um reagente de fase aguda que indica a presença e a intensidade de um processo inflamatório ou infeccioso, mas não reflete diretamente a função orgânica ou a perfusão. Já o lactato é um marcador de 'sofrimento tecidual'. Um paciente pode ter uma PCR muito alta com estabilidade hemodinâmica, mas um lactato elevado sempre sinaliza que o organismo está entrando em falência compensatória, sendo um parâmetro fundamental para o protocolo de 'Surviving Sepsis Campaign'.
O diabetes mellitus compromete a imunidade celular (quimiotaxia e fagocitose de neutrófilos) e a microcirculação. Em pacientes descompensados, a hiperglicemia favorece o crescimento bacteriano e a glicação de proteínas dificulta a cicatrização e a resposta inflamatória eficaz. Isso aumenta o risco de infecções necrotizantes de partes moles. Nesses pacientes, a monitorização do lactato é ainda mais vital, pois a progressão para sepse pode ser rápida e menos evidente clinicamente nos estágios iniciais.
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