Laceração de Mallory-Weiss: Diagnóstico e Manejo Clínico

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 21 anos de idade, previamente hígido, sem comorbidades, é atendido após consumo excessivo de bebida alcoólica durante a noite anterior. Ele apresentou vários episódios de vômitos reentrantes, evoluindo com o aparecimento de estrias de sangue vermelho vivo na êmese. Após hidratação fluida e antieméticos, o paciente encontra-se em repouso confortável e hemodinamicamente estável. O teste do guaiaco fecal é negativo e o abdome é flácido e indolor. A causa mais provável do sangramento é

Alternativas

  1. A) doença ulcerosa péptica.
  2. B) esofagite erosiva aguda.
  3. C) gastrite aguda induzida pelo álcool.
  4. D) laceração de Mallory-Weiss.
  5. E) varizes esofágicas.

Pérola Clínica

Laceração de Mallory-Weiss → hematêmese após vômitos intensos, comum em etilistas, hemodinamicamente estável.

Resumo-Chave

A laceração de Mallory-Weiss é uma ruptura longitudinal da mucosa na junção gastroesofágica, causada por vômitos forçados. Caracteriza-se por sangramento vermelho vivo após episódios de êmese, sendo frequentemente autolimitada e associada ao consumo de álcool.

Contexto Educacional

A laceração de Mallory-Weiss é uma causa frequente de sangramento gastrointestinal alto, representando cerca de 5-10% dos casos. É crucial para o residente reconhecer essa condição, especialmente em pacientes com histórico de vômitos intensos, como os associados ao consumo de álcool, hiperêmese gravídica ou gastroenterite. A compreensão da fisiopatologia, que envolve um aumento súbito da pressão intraluminal esofágica, é fundamental para o diagnóstico diferencial. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na anamnese, e confirmado por endoscopia digestiva alta, que revela a lesão longitudinal na junção gastroesofágica. É importante diferenciar de outras causas de hematêmese, como varizes esofágicas (que geralmente cursam com sangramento mais volumoso e instabilidade hemodinâmica) e úlceras pépticas. A estabilidade hemodinâmica do paciente é um forte indicativo de que o sangramento é menos grave, como na Mallory-Weiss. A maioria das lacerações de Mallory-Weiss é autolimitada e o tratamento é de suporte, com antieméticos e inibidores da bomba de prótons. Em casos de sangramento ativo ou persistente, a endoscopia terapêutica (com injeção de epinefrina, clipagem ou coagulação) pode ser necessária. O prognóstico é geralmente excelente, com recuperação completa na maioria dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos da laceração de Mallory-Weiss?

Os sintomas clássicos incluem vômitos intensos e não sanguinolentos, seguidos pelo aparecimento de estrias de sangue vermelho vivo ou hematêmese franca. Dor epigástrica ou torácica pode estar presente, mas o paciente geralmente está hemodinamicamente estável.

Como o consumo de álcool se relaciona com a laceração de Mallory-Weiss?

O consumo excessivo de álcool é um fator de risco significativo, pois pode induzir vômitos intensos e repetitivos. Esses esforços de vômito aumentam a pressão intra-abdominal e intraluminal esofágica, levando à ruptura da mucosa.

Qual é a conduta inicial para um paciente com suspeita de laceração de Mallory-Weiss?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, se necessário, com fluidos intravenosos. A maioria dos casos é autolimitada. A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico e pode ser terapêutica para hemostasia em sangramentos persistentes.

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