IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 21 anos, após confraternização de fim de ano, apresenta sensação de alimento preso na garganta, odinofagia, sialorréia, regurgitação e náuseas (sem vômito). Compareceu ao prontosocorro onde realizou exames laboratoriais e de imagem.Exames laboratoriais: Hemoglobina 11,1 g/dL, Leucócitos 6.730/mm³, Plaquetas 151.000/mm³, PCR 1,23 mg/L (VR<1,0), Creatinina 0,65 mg/dL, Ureia 24 mg/dL, Sódio 139 mEq/L, Potássio 4,0 mEq/L, Bilirrubina Total 0,23 mg/dL, Amilase 62 U/L, INR1,14.Endoscopia laudava esôfago com mucosa conservada até 20cm da ADS com laceração profunda onde encontra-se corpo estranho impactado. Retirado com auxílio de Roth Net sem intercorrências. Realizada também tomografia computadorizada de pescoço. Vide imagens abaixo.Qual deve ser a conduta imediata?
Laceração esofágica pós-corpo estranho → NPO, hidratação, ATB, internação, avaliação para reintervenção/cirurgia.
A laceração esofágica, mesmo após a remoção de corpo estranho, representa um risco significativo de perfuração e mediastinite. A conduta imediata visa prevenir essas complicações graves, estabilizar o paciente e avaliar a necessidade de intervenção adicional para reparo da lesão.
A laceração esofágica por corpo estranho é uma emergência gastroenterológica que exige reconhecimento e manejo rápidos para evitar complicações potencialmente fatais. Embora a remoção endoscópica do corpo estranho seja o primeiro passo, a lesão da parede esofágica pode persistir, variando de uma erosão superficial a uma perfuração transmural. A incidência de lesões esofágicas após impactação de corpo estranho é significativa, e a falha em identificar e tratar adequadamente pode levar a morbidade e mortalidade elevadas. A fisiopatologia envolve o trauma mecânico direto do corpo estranho ou do procedimento de remoção, que compromete a integridade da mucosa esofágica. O diagnóstico é baseado na história clínica, exames de imagem como a tomografia computadorizada (que pode mostrar pneumomediastino, derrame pleural ou coleções) e achados endoscópicos. A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas persistentes ou piora do quadro após a remoção do corpo estranho, como dor intensa, febre, taquicardia e sinais de sepse. A conduta imediata para laceração esofágica inclui NPO para evitar extravasamento de conteúdo, hidratação venosa para suporte hemodinâmico, e antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir flora oral e gastrointestinal, prevenindo infecções como mediastinite. A internação é mandatória para monitoramento e avaliação contínua, podendo ser necessária reintervenção endoscópica para sutura da lesão ou, em casos mais graves, cirurgia para reparo primário ou derivação esofágica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da adequação do tratamento.
Sinais de alerta incluem odinofagia persistente, sialorreia, dor torácica ou cervical, febre, taquicardia e crepitação cervical. A piora dos sintomas após a remoção do corpo estranho é um indicativo importante.
A antibioticoterapia é crucial para prevenir infecções graves como mediastinite e sepse, que podem ocorrer devido à contaminação da cavidade torácica por conteúdo esofágico após a lesão da mucosa.
A tomografia computadorizada é fundamental para avaliar a extensão da lesão, identificar sinais de perfuração (pneumomediastino, derrame pleural, coleções) e guiar a decisão sobre a necessidade de intervenção cirúrgica.
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