Hemorragia Pós-Parto: Diagnóstico de Laceração de Canal

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Puérpera, G1P1, pós-parto imediato sem episotomia, com RN pesando 3.560g, APGAR 9/10, após indução de parto por pós-datismo. Na primeira hora pós-parto, apresentou: taquicardia (FC: 150bpm), hipotensão (PA: 80/40mmHg) e sangramento vaginal aumentado, com útero contraído (globo de segurança de pinard) na altura da cicatriz umbilical. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Atonia uterina, administrar ocitocina EV.
  2. B) Atonia uterina, avaliar possibilidade de curetagem uterina.
  3. C) Laceração de canal de parto, revisar trajeto de parto.
  4. D) Infecção puerperal, administrar antibioticoterapia de amplo espectro.

Pérola Clínica

Sangramento pós-parto com útero contraído → suspeitar de laceração de canal de parto.

Resumo-Chave

Em casos de hemorragia pós-parto onde o útero está bem contraído (globo de segurança), a principal hipótese é que o sangramento não é de origem uterina, mas sim de lacerações no canal de parto (cérvix, vagina, períneo). A conduta inicial é a revisão sistemática do canal.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, definida como perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana. O pós-parto imediato, nas primeiras 24 horas, é o período de maior risco. É crucial que residentes e estudantes de medicina dominem o diagnóstico diferencial e o manejo rápido da HPP para garantir a segurança da paciente. A etiologia da HPP é classicamente lembrada pelos "4 Ts": Tônus (atonia uterina), Trauma (lacerações de canal de parto, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). No cenário de sangramento vaginal aumentado com útero bem contraído (globo de segurança de Pinard), a atonia uterina é descartada, e a principal suspeita recai sobre o Trauma, especificamente lacerações no canal de parto. A conduta para lacerações de canal de parto envolve a exploração cuidadosa e sistemática do cérvix, vagina e períneo, sob boa iluminação e analgesia adequada. Uma vez identificadas, as lacerações devem ser suturadas com técnica apropriada para controlar o sangramento. A revisão do canal de parto é um procedimento essencial para o manejo da HPP não relacionada à atonia uterina.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de laceração de canal de parto em puérperas?

Os sinais incluem sangramento vaginal persistente e aumentado no pós-parto imediato, mesmo com o útero bem contraído e firme (globo de segurança de Pinard), acompanhado de sinais de instabilidade hemodinâmica como taquicardia e hipotensão.

Qual a conduta inicial para suspeita de laceração de canal de parto?

A conduta inicial é a revisão sistemática e cuidadosa do canal de parto (cérvix, vagina, períneo) sob boa iluminação e analgesia, para identificar e suturar as lacerações.

Como diferenciar atonia uterina de laceração de canal de parto?

A principal diferença é o tônus uterino. Na atonia, o útero está flácido e amolecido, enquanto na laceração, o útero está bem contraído (globo de segurança), mas o sangramento persiste.

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