INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um lactente de um ano de idade apresenta inapetência, apatia, palidez cutâneo- mucosa acentuada, lesões cutâneas hipocrômicas e hipercrômicas com descamação em membros, facies de lua cheia, hepatomegalia, edema em membros e despigmentação de cabelos. A temperatura axilar é de 35,7°C. Foi identificado pelo agente comunitário de saúde em seu domicílio, onde mora com a mãe e mais cinco irmãos, e encaminhado para avaliação na Unidade Básica de Saúde (UBS). Peso = 7 kg e comprimento = 65 cm. Com essas informações, o diagnóstico nutricional e a conduta médica mais adequados são, respectivamente:
Kwashiorkor = Edema + Lesões cutâneas + Hepatomegalia + Apatia → Internação imediata.
A desnutrição proteica (Kwashiorkor) cursa com edema por hipoalbuminemia e lesões de pele, exigindo estabilização hospitalar para evitar síndrome de realimentação.
O Kwashiorkor é uma forma grave de desnutrição proteico-energética que ocorre tipicamente quando a criança é desmamada e passa a receber uma dieta rica em carboidratos, mas pobre em proteínas. A fisiopatologia envolve estresse oxidativo, disfunção de membranas e hipoalbuminemia severa, que reduz a pressão oncótica plasmática, gerando o edema característico. O quadro clínico descrito (edema, lesões cutâneas 'em pintura craquelada', despigmentação capilar e hepatomegalia) é patognomônico. Devido ao alto risco de complicações como distúrbios hidroeletrolíticos, infecções graves e hipotermia, o manejo deve ser obrigatoriamente hospitalar, seguindo rigorosamente os passos de estabilização para evitar a síndrome de realimentação.
O Marasmo é uma deficiência calórica total, apresentando-se com magreza extrema ('pele e osso') e sem edema. O Kwashiorkor é uma deficiência proteica predominante, caracterizada por edema, hepatomegalia (esteatose), alterações de cabelo e pele, e apatia.
A falta de proteínas impede a síntese de apolipoproteínas necessárias para transportar gordura para fora do fígado. Isso resulta em infiltração gordurosa maciça (esteatose hepática), levando ao aumento do órgão.
O tratamento segue o protocolo da OMS em três fases: 1. Estabilização (prevenir hipoglicemia, hipotermia e tratar infecções); 2. Reabilitação (recuperação nutricional intensiva); 3. Acompanhamento (pós-alta).
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