Kwashiorkor em Lactentes: Sinais Clínicos e Alterações Laboratoriais

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 8 meses de idade é internado com quadro de pneumonia e ao exame físico observam-se edema generalizado, cabelos finos, quebradiços, hipotrofia muscular, áreas de despigmentação cutânea com dermatite em área de fraldas. No interrogatório alimentar, desmame aos 2 meses de vida, com alimentação atual a base de mingau de farinha de arroz, água e açúcar. Usa leite em 3 mamadas diárias, 1 colher de sopa em 200 ml de água. Nesse contexto, assinale a alternativa que contém as alterações laboratoriais esperadas para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Hipernatremia sérica, hipercalemia sérica e hipoalbuminemia.
  2. B) Anemia ferropriva, hipocalemia sérica e hipoglicemia.
  3. C) Hiponatremia corporal total, hipercalemia sérica e hiperglicemia.
  4. D) Hematúria, complemento sérico diminuído e proteinúria subnefrótica.

Pérola Clínica

Lactente com edema, alterações de pele/cabelo, dieta pobre em proteína → Kwashiorkor. Lab: Anemia, hipocalemia, hipoglicemia.

Resumo-Chave

O quadro clínico do lactente é clássico de Kwashiorkor, uma forma grave de desnutrição proteico-energética. As alterações laboratoriais refletem a deficiência crônica de nutrientes, com anemia por carência de ferro, hipocalemia devido a perdas e alterações de bomba, e hipoglicemia pela depleção de reservas e dificuldade na gliconeogênese.

Contexto Educacional

O Kwashiorkor é uma forma grave de desnutrição proteico-energética, mais comum em crianças após o desmame, quando a dieta se torna predominantemente rica em carboidratos e pobre em proteínas. Epidemiologicamente, é prevalente em regiões com insegurança alimentar. O quadro clínico é marcado por edema generalizado (devido à hipoalbuminemia), alterações de pele (dermatite, despigmentação), cabelo (fino, quebradiço, despigmentado), hipotrofia muscular e hepato-esplenomegalia por esteatose hepática. A importância clínica reside na alta morbimortalidade se não tratado adequadamente. A fisiopatologia envolve uma deficiência proteica severa que leva à diminuição da síntese de albumina, resultando em edema. A deficiência de micronutrientes é comum, contribuindo para anemia (ferropriva, megaloblástica), disfunção imunológica e alterações metabólicas. O diagnóstico é clínico, mas exames laboratoriais confirmam as alterações esperadas: hipoalbuminemia, anemia, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia) e hipoglicemia, especialmente em períodos de jejum ou infecção. A suspeita deve surgir em lactentes com edema e história de dieta inadequada. O tratamento do Kwashiorkor é complexo e deve ser gradual, iniciando com a estabilização de emergências (hipoglicemia, hipotermia, infecções, desidratação, desequilíbrios eletrolíticos), seguida pela fase de reabilitação nutricional com dietas ricas em proteínas e energia, e suplementação de vitaminas e minerais. O prognóstico depende da gravidade da desnutrição, da presença de complicações e da adesão ao tratamento, sendo um desafio significativo na saúde pública pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças clínicas entre Kwashiorkor e Marasmo?

O Kwashiorkor é caracterizado principalmente por edema generalizado, alterações de pele e cabelo, e fígado gorduroso, resultantes de deficiência proteica mais acentuada. O Marasmo, por outro lado, manifesta-se por emaciação extrema, perda de massa muscular e tecido adiposo, sem edema, devido a uma deficiência calórica e proteica global.

Por que a hipocalemia e a hipoglicemia são comuns no Kwashiorkor?

A hipocalemia ocorre devido a perdas gastrointestinais, alterações na bomba de sódio-potássio e redistribuição intracelular do potássio. A hipoglicemia é frequente devido à depleção das reservas de glicogênio hepático, redução da gliconeogênese e aumento do consumo de glicose em situações de estresse ou infecção, especialmente em crianças desnutridas.

Qual a importância da reabilitação nutricional no tratamento do Kwashiorkor?

A reabilitação nutricional é crucial e deve ser feita em fases, começando pela estabilização (correção de eletrólitos, hipoglicemia, infecções), seguida pela fase de recuperação (ganho de peso rápido com dietas ricas em energia e proteína) e, finalmente, a fase de acompanhamento para prevenir recaídas. A reposição de micronutrientes também é vital.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo