UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Menino de 2 anos e três meses de idade chegou ao atendimento em UPA por apresentar edema de membros inferiores há uma semana e baixa atividade. É a 5ª filha de uma prole de 5 filhos e nasceu no início da pandemia Covid-19, quando o pai ficou desempregado, e a família passou a não ter renda até o recebimento de benefícios sociais. Fez uso de leite materno exclusivo até os 4 meses de vida, passando a receber leite de vaca in natura após esse período. Foi introduzida a alimentação complementar a partir dos 6 meses, com predominância da alimentação láctea até o momento. Ao exame físico, aspecto geral estava comprometido, pois encontrava-se apática, descorada (++/4), com cabelos finos e quebradiços, áreas de rarefação capilar, pele com manchas hipocrômicas em dobras. A ausculta cardiopulmonar revelou: taquicardia leve, sopro sistólico suave em foco mitral. O abdome estava distendido, e o fígado, a 3 cm do rebordo costal direito de consistência elástica e bordas finas. Apresentava edema (++/4) em membros inferiores e sínfise pubiana. A hipótese mais adequada para o diagnóstico do caso é de
Kwashiorkor → edema generalizado + deficiência proteica + alterações pele/cabelo.
O caso descreve um quadro clássico de Kwashiorkor, caracterizado por edema (principalmente em membros inferiores e sínfise pubiana), alterações de pele e cabelo, hepatomegalia e história de dieta rica em carboidratos e pobre em proteínas. O marasmo, por outro lado, se manifesta por emaciação extrema sem edema.
A desnutrição energético-proteica (DEP) grave é um problema de saúde pública global, com manifestações clínicas distintas que exigem reconhecimento imediato. O Kwashiorkor e o Marasmo representam as formas mais graves da DEP, cada um com características fisiopatológicas e clínicas específicas. O Kwashiorkor, frequentemente associado a dietas ricas em carboidratos e pobres em proteínas, manifesta-se tipicamente após o desmame, em crianças que recebem alimentação complementar inadequada. Clinicamente, o Kwashiorkor é marcado pela presença de edema, que pode ser generalizado e mascarar a perda de peso. Outros sinais incluem alterações de pele (dermatite, hiperpigmentação ou hipopigmentação, descamação), cabelo (fino, quebradiço, despigmentado, sinal da bandeira), hepatomegalia por esteatose hepática, apatia e irritabilidade. A fisiopatologia envolve a hipoalbuminemia grave, que leva à diminuição da pressão oncótica e extravasamento de líquido para o interstício. O tratamento do Kwashiorkor envolve uma abordagem multifacetada, começando pela estabilização de emergências (hipoglicemia, hipotermia, infecções), seguida pela reidratação cautelosa e realimentação gradual com fórmulas ricas em proteínas e micronutrientes. A recuperação é lenta e exige acompanhamento nutricional e psicossocial. O prognóstico melhora com o diagnóstico e tratamento precoces, mas sequelas no desenvolvimento neuropsicomotor podem ocorrer.
Os sinais clínicos distintivos do Kwashiorkor incluem edema generalizado (especialmente em membros inferiores e face), alterações de pele (manchas hipocrômicas, dermatite) e cabelo (fino, quebradiço, despigmentado, sinal da bandeira), hepatomegalia por esteatose e apatia.
O Kwashiorkor é classicamente associado a dietas com ingestão calórica adequada, mas gravemente deficientes em proteínas, comum após o desmame com predominância de carboidratos e pouca proteína de alto valor biológico.
A principal diferença é a presença de edema no Kwashiorkor, devido à hipoalbuminemia, enquanto o Marasmo é caracterizado por emaciação extrema e perda de massa muscular e gordura subcutânea, sem edema.
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