Sarampo: Diagnóstico, Notificação e Bloqueio Vacinal

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Juliana, 24 anos, previamente hígida e sem comprovação vacinal atualizada, procura atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento com história de febre alta, tosse seca, coriza intensa e conjuntivite com fotofobia há quatro dias. Refere que, há cerca de 24 horas, notou o surgimento de manchas avermelhadas que se iniciaram na região retroauricular e progrediram para a face e pescoço. Ao exame físico, a paciente apresenta-se em regular estado geral, com exantema maculopapular morbiliforme disseminado em tronco superior, linfadenopatia cervical e presença de pequenas manchas brancas com halo eritematoso na mucosa oral, na altura dos pré-molares. A paciente relata trabalhar como recepcionista em uma grande academia de ginástica. Com base na principal hipótese diagnóstica e nas normas de Vigilância Epidemiológica vigentes, a conduta imediata correta é:

Alternativas

  1. A) Realizar a notificação compulsória imediata (em até 24 horas) às autoridades de saúde e organizar a vacinação de bloqueio para os contatos suscetíveis em até 72 horas.
  2. B) Aguardar a confirmação laboratorial por meio da sorologia IgM/IgG para realizar a notificação compulsória e indicar o isolamento da paciente por 14 dias após o início do exantema.
  3. C) Notificar o caso suspeito em regime de brevidade (notificação semanal) e prescrever Vitamina A para a paciente e quimioprofilaxia com amoxicilina para todos os contatos domiciliares.
  4. D) Notificar imediatamente o caso e indicar a aplicação de imunoglobulina padrão como medida prioritária para todos os contatos da academia de ginástica, independentemente do status vacinal.

Pérola Clínica

Koplik + Exantema retroauricular → Sarampo. Notificação imediata + Bloqueio vacinal (72h).

Resumo-Chave

O sarampo exige notificação compulsória imediata (24h) e vacinação de bloqueio em contatos suscetíveis dentro de 72h para conter o surto.

Contexto Educacional

O sarampo é uma infecção viral aguda altamente contagiosa, transmitida por aerossóis. O quadro clínico clássico evolui em fases: prodrômica (febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik) e exantemática (exantema maculopapular morbiliforme de progressão cefalocaudal). A vigilância epidemiológica é rigorosa devido ao potencial de surtos, exigindo notificação imediata diante de qualquer caso suspeito, sem necessidade de aguardar resultados laboratoriais. O tratamento é essencialmente de suporte, incluindo a suplementação de Vitamina A, que comprovadamente reduz a morbimortalidade em crianças. O controle populacional depende da manutenção de altas coberturas vacinais com a vacina Tríplice Viral (SCR). Em surtos, a agilidade na identificação de contatos e bloqueio vacinal é o pilar para evitar a disseminação sustentada do vírus.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo para notificação e bloqueio vacinal no sarampo?

O sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata, devendo ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas após a suspeita clínica. A vacinação de bloqueio é a principal medida de controle e deve ser aplicada aos contatos suscetíveis o mais rápido possível, idealmente em até 72 horas após a exposição, para prevenir a progressão da doença ou mitigar sua gravidade naqueles já infectados, interrompendo a cadeia de transmissão comunitária.

O que são as manchas de Koplik e qual sua importância?

As manchas de Koplik são pequenas pápulas esbranquiçadas com halo eritematoso localizadas na mucosa oral, geralmente na altura dos pré-molares. Elas são consideradas um sinal patognomônico do sarampo e surgem no período prodrômico, precedendo o exantema em cerca de 1 a 2 dias. Sua identificação permite o diagnóstico clínico precoce e a implementação imediata de medidas de isolamento e vigilância antes mesmo da fase exantemática plena.

Quem deve receber a vacina de bloqueio?

A vacinação de bloqueio deve ser direcionada a todos os contatos seletivos (familiares, escola, trabalho) a partir dos 6 meses de idade que não possuam comprovação vacinal adequada para a idade. Em casos de contraindicação à vacina, como gestantes, crianças menores de 6 meses ou imunossuprimidos graves expostos, a imunoglobulina padrão pode ser indicada como profilaxia pós-exposição em até 6 dias após o contato.

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