Sarampo: Diagnóstico Clínico e Sinais Patognomônicos

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

Um jovem de 18 anos, sexo masculino, refere início de febre, coriza, tosse e conjuntivite três dias após retornar de uma viagem à cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Relata ter permanecido no bairro do Brooklyn daquela cidade durante 45 dias para realizar um curso de aperfeiçoamento em inglês. Ao exame físico, é observada a presença de pequenas máculas de coloração branca azulada na mucosa bucal. O paciente relata que seus pais são contrários ao uso de vacinas e que, por esse motivo, ele não fez as vacinas recomendadas. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Sarampo.
  2. B) Mononucleose infecciosa.
  3. C) Influenza
  4. D) Escarlatina
  5. E) Citomegalovírus

Pérola Clínica

Sarampo: Febre, coriza, tosse, conjuntivite + Máculas de Koplik em paciente não vacinado = Suspeita alta.

Resumo-Chave

A tríade de febre, tosse e coriza, acompanhada de conjuntivite e, classicamente, as máculas de Koplik na mucosa bucal, são sinais patognomônicos do sarampo. O histórico de não vacinação e viagem a áreas com circulação viral reforça a hipótese diagnóstica, tornando-o um caso típico de sarampo.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo (Morbillivirus). Apesar de ser prevenível por vacina, ainda representa um desafio de saúde pública global, com surtos ocorrendo em populações não vacinadas. A doença é transmitida por gotículas respiratórias e é caracterizada por febre, tosse, coriza, conjuntivite e um exantema maculopapular generalizado, precedido pelas clássicas máculas de Koplik na mucosa oral. A identificação precoce é crucial para o controle de surtos e para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a replicação viral no trato respiratório e disseminação linfática, culminando na viremia e no aparecimento dos sintomas. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos sinais e sintomas característicos, especialmente as máculas de Koplik e o histórico de não vacinação ou exposição. A confirmação laboratorial pode ser feita por detecção de IgM anti-sarampo ou RT-PCR. É fundamental suspeitar de sarampo em pacientes com febre e exantema, especialmente se houver histórico de viagem ou contato com casos suspeitos, e em populações com baixa cobertura vacinal. Não há tratamento antiviral específico para o sarampo, sendo o manejo focado em suporte e prevenção de complicações. A suplementação de vitamina A é recomendada para todas as crianças com sarampo, pois reduz a morbimortalidade. As complicações podem incluir otite média, pneumonia, diarreia e, mais raramente, encefalite e panencefalite esclerosante subaguda. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz, e a vigilância epidemiológica é essencial para monitorar e controlar a disseminação da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas iniciais do sarampo?

O sarampo inicia com um período prodrômico de 2-4 dias, caracterizado por febre alta, mal-estar, tosse seca, coriza e conjuntivite. As máculas de Koplik, pequenas lesões branco-azuladas na mucosa bucal, surgem 1-2 dias antes do exantema e são patognomônicas.

Qual a importância da vacinação na prevenção do sarampo?

A vacinação com a tríplice viral (MMR) é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo, conferindo imunidade duradoura. A falta de vacinação aumenta significativamente o risco de infecção e de surtos, especialmente em viajantes para áreas endêmicas.

Como diferenciar sarampo de outras doenças exantemáticas?

A diferenciação se baseia nos pródromos (tosse, coriza, conjuntivite intensos no sarampo), na presença das máculas de Koplik e na progressão do exantema (maculopapular, cefalocaudal, confluente no sarampo). Outras doenças como rubéola ou exantema súbito têm apresentações distintas.

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