PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Jhenifer, 23 anos, afrodescendente, estudante, vai ser operada de cisto em região palmar da mão direita. Está preocupada, pois sua mãe apresenta queloides em região peitoral e na cicatriz da cesariana. Na tentativa de acalmá-la, o médico COMETEU UM EQUÍVOCO ao afirmar:
Queloides → Crescimento além das bordas da ferida; raros em palmas e plantas, mas possíveis.
Queloides são desordens fibroproliferativas com forte componente genético. Embora raros em áreas sem glândulas sebáceas, sua ocorrência não é impossível.
O queloide resulta de uma resposta cicatricial exacerbada, caracterizada por uma fase proliferativa prolongada e falha na apoptose de fibroblastos. O conhecimento de sua epidemiologia e localizações típicas é essencial para a prática cirúrgica e dermatológica. A predisposição genética é evidente em casos familiares, com padrões de herança autossômica dominante com penetrância variável. O manejo preventivo em pacientes de risco, evitando procedimentos estéticos desnecessários e utilizando técnicas de sutura sem tensão, é a estratégia mais eficaz.
A principal distinção reside na extensão e na evolução temporal da lesão. O queloide é uma neoplasia benigna do tecido conjuntivo que ultrapassa os limites originais da ferida, raramente regride espontaneamente e apresenta altas taxas de recorrência após excisão cirúrgica isolada. Histologicamente, caracteriza-se por feixes espessos e desorganizados de colágeno tipo I e III. Já a cicatriz hipertrófica permanece confinada às bordas da lesão original, tende a surgir precocemente após o trauma e pode apresentar regressão parcial ao longo do tempo. Enquanto o queloide tem forte associação com predisposição genética e etnia (mais comum em negros e asiáticos), a cicatriz hipertrófica está mais relacionada a fatores locais, como tensão excessiva na ferida ou infecção prolongada.
Os principais fatores de risco incluem a pigmentação cutânea, a idade e a localização anatômica da lesão. Indivíduos de ascendência africana, hispânica e asiática apresentam uma incidência significativamente maior, sugerindo uma base genética complexa envolvendo múltiplos loci. Em termos de idade, os queloides são mais frequentes entre os 10 e 30 anos, possivelmente devido à maior taxa de síntese de colágeno e influência hormonal durante a puberdade. Localizações anatômicas com alta tensão cutânea, como a região pré-esternal, ombros, dorso superior e lóbulos das orelhas, são sítios de predileção. Curiosamente, áreas com baixa densidade de melanócitos e glândulas sebáceas, como as palmas das mãos e plantas dos pés, são raramente afetadas, embora não totalmente imunes.
O tratamento de queloides é desafiador e frequentemente requer uma abordagem multimodal. As opções de primeira linha incluem a infiltração intralesional de corticosteroides (como a triancinolona), que reduz a inflamação e a síntese de colágeno, e o uso de placas de silicone ou malhas de compressão. Para lesões resistentes, a cirurgia pode ser realizada, mas deve ser obrigatoriamente associada a terapias adjuvantes, como a betaterapia (radioterapia local) ou infiltração de 5-fluorouracil, para minimizar o risco de recorrência, que pode chegar a 80% em casos de excisão isolada. Outras modalidades incluem criocirurgia, laser de corante pulsado (PDL) e, mais recentemente, o uso de inibidores de TGF-beta e imunomoduladores como o imiquimod.
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