HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Jessica, 25 anos, primigesta, com 34 semanas, procura o pronto atendimento obstétrico em crise convulsiva tônico-clônica generalizada. O companheiro refere que a paciente estava com dor de cabeça intensa antes da convulsão. No exame clínico, está em mau estado geral, descorada +/4, hidratada, Pressão arterial 152 x 105 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, Saturação 96%, edema de MMII de 3+/4. No exame obstétrico, AU 33 cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina presente (2 contrações em 10 minutos), toque vaginal com colo dilatado 3 cm, médio, medianizado. Após o tratamento adequado, com estabilização do quadro clínico e avaliação laboratorial, a conduta obstétrica é:
Eclâmpsia com feto viável e trabalho de parto → estabilizar mãe (sulfato Mg), depois conduzir parto.
Em casos de eclâmpsia com feto viável (≥ 34 semanas) e colo favorável, após estabilização da crise convulsiva e da pressão arterial, a conduta é a interrupção da gestação. A via de parto é determinada pelas condições obstétricas, sendo a condução do parto vaginal preferível se não houver contraindicações.
A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes, puérperas ou no pós-parto imediato, sem outra causa neurológica. É uma emergência obstétrica que exige manejo rápido e eficaz para prevenir morbimortalidade materna e fetal. A incidência varia globalmente, mas é uma das principais causas de mortalidade materna. A importância clínica reside na sua capacidade de causar danos neurológicos permanentes, insuficiência renal e hepática, e descolamento prematuro de placenta. O diagnóstico da eclâmpsia é clínico, baseado na presença de convulsões em uma paciente com pré-eclâmpsia. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia cerebral. Deve-se suspeitar de eclâmpsia em qualquer gestante hipertensa que apresente cefaleia intensa, distúrbios visuais ou dor epigástrica, e que evolua com convulsões. A diferenciação com outras causas de convulsão é crucial, mas na gestação, a eclâmpsia é a principal hipótese. O tratamento da eclâmpsia visa primeiramente estabilizar a mãe, controlando a crise convulsiva com sulfato de magnésio e a hipertensão arterial. Após a estabilização, a interrupção da gestação é a conduta definitiva, pois o parto resolve a condição. A via de parto (vaginal ou cesariana) é determinada pelas condições obstétricas e pela urgência clínica, sendo a indução do parto uma opção se o colo for favorável e não houver sofrimento fetal. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o manejo adequado e precoce.
Os sinais de alerta incluem cefaleia intensa, alterações visuais, dor epigástrica, edema súbito e generalizado, e hipertensão arterial, que podem preceder a crise convulsiva.
A conduta inicial é estabilizar a paciente, garantir via aérea pérvia, prevenir traumas e administrar sulfato de magnésio para controle das convulsões e prevenção de recorrência.
A interrupção da gestação é indicada após a estabilização materna, sendo o parto a cura definitiva. A idade gestacional e as condições cervicais guiam a escolha entre indução do parto ou cesariana.
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