UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Assinale a alternativa que contém uma contraindicação absoluta à confecção de uma jejunostomia alimentar.
Jejunostomia: Obstrução intestinal distal = Contraindicação ABSOLUTA (risco de perfuração).
A confecção de uma jejunostomia em um segmento intestinal que possui uma obstrução mecânica distal é proibitiva, pois causaria distensão maciça, vômitos e risco iminente de isquemia ou perfuração da alça.
A jejunostomia é um acesso cirúrgico ao trato gastrointestinal para suporte nutricional de longo prazo. Embora seja um procedimento comum, a seleção adequada do paciente é crucial para evitar complicações catastróficas. A integridade e a patência do trato intestinal distal são pré-requisitos fundamentais. Fisiopatologicamente, a infusão de fórmulas enterais, que frequentemente são hiperosmolares, em um segmento obstruído acelera o sequestro de líquidos para o lúmen, exacerbando a distensão. Diferente da enterite por radiação ou edema de parede, onde a motilidade pode estar reduzida mas o trânsito existe, a obstrução mecânica completa cria um bloqueio físico intransponível que torna a via enteral perigosa e ineficaz.
A jejunostomia alimentar tem como objetivo infundir dieta diretamente no lúmen intestinal para absorção. Se houver uma obstrução mecânica distal ao sítio de inserção da sonda (seja por tumor, brida ou estenose), o conteúdo alimentar e as secreções digestivas ficarão retidos em uma 'alça fechada' funcional. Isso leva a um aumento progressivo da pressão intraluminal, distensão abdominal severa, dor, risco de vômitos com aspiração brônquica e, em casos graves, isquemia da parede intestinal por compressão capilar, podendo evoluir para perfuração e peritonite.
Contraindicações relativas incluem condições que aumentam o risco de complicações, mas não impossibilitam o procedimento se o benefício superar o risco. Exemplos são: ascite volumosa (risco de vazamento e peritonite), obesidade mórbida (dificuldade técnica), distúrbios de coagulação não corrigidos, doença inflamatória intestinal no segmento a ser utilizado (risco de fístula) e imunossupressão grave. Nestes casos, a técnica cirúrgica e o sítio de inserção devem ser cuidadosamente planejados.
A jejunostomia é preferida quando o estômago não pode ser utilizado para alimentação ou quando há alto risco de aspiração pulmonar. Indicações comuns incluem: neoplasias gástricas ou esofágicas irressecáveis, gastroparesia grave, fístulas gástricas ou duodenais, e após grandes cirurgias do trato digestivo superior (como esofagectomias ou gastrectomias totais) onde se deseja iniciar nutrição enteral precoce distal à anastomose para proteção da mesma.
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