ENARE/ENAMED — Prova 2023
Um paciente de 57 anos possui uma lesão esofágica estenosante e não transponível ao aparelho de endoscopia em nível de esôfago médio/distal, com biópsia revelando carcinoma epidermoide escamoso. O paciente iniciará tratamento com radioterapia e quimioterapia neoadjuvantes, porém está com ingesta praticamente nula de alimentos há vários dias. Qual é a melhor estratégia cirúrgica de via alimentar a ser indicada para esse paciente?
Estenose esofágica maligna não transponível → jejunostomia para nutrição enteral pré-quimio/radio.
Em pacientes com estenose esofágica maligna que impede a alimentação oral e necessitam de tratamento neoadjuvante, a jejunostomia é a via preferencial para nutrição enteral. A gastrostomia é contraindicada se o estômago for utilizado na reconstrução esofágica futura ou se houver risco de metástases gástricas.
O carcinoma epidermoide de esôfago é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, e a disfagia é um sintoma comum que leva à desnutrição. Pacientes com estenose esofágica maligna que impede a passagem do endoscópio e que serão submetidos a quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes necessitam de suporte nutricional adequado para tolerar o tratamento e melhorar os desfechos cirúrgicos. A escolha da via alimentar é crucial. A jejunostomia de alimentação é a opção preferencial nesses casos. Isso ocorre porque o estômago é frequentemente utilizado como conduto para a reconstrução esofágica após a esofagectomia, e a realização de uma gastrostomia poderia comprometer sua vascularização, dificultar a mobilização ou introduzir um sítio de infecção. Além disso, em tumores de esôfago distal, há o risco de envolvimento gástrico subclínico. A jejunostomia permite a administração de dietas enterais, garantindo o aporte calórico e proteico necessário para o paciente. É um procedimento relativamente seguro, que pode ser realizado por via laparoscópica ou aberta. O manejo nutricional adequado é um pilar fundamental no tratamento multimodal do câncer de esôfago, contribuindo para a melhora da qualidade de vida e da resposta aos tratamentos oncológicos.
A jejunostomia é preferível porque o estômago pode ser necessário para a reconstrução esofágica após a esofagectomia, ou pode haver risco de envolvimento tumoral gástrico. Além disso, a gastrostomia pode dificultar a mobilização gástrica durante a cirurgia definitiva.
As principais indicações incluem disfagia grave que impede a ingesta oral adequada, desnutrição significativa ou risco de desnutrição, e a necessidade de suporte nutricional prolongado durante tratamentos neoadjuvantes (quimioterapia e radioterapia) ou paliativos.
Os riscos incluem infecção no local da incisão, vazamento de conteúdo intestinal, obstrução ou deslocamento da sonda, e complicações metabólicas relacionadas à nutrição enteral. Complicações menos comuns são hemorragia e perfuração intestinal.
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