Jejunostomia: Via Alimentar em Câncer de Esôfago Estenosante

ENARE/ENAMED — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 57 anos possui uma lesão esofágica estenosante e não transponível ao aparelho de endoscopia em nível de esôfago médio/distal, com biópsia revelando carcinoma epidermoide escamoso. O paciente iniciará tratamento com radioterapia e quimioterapia neoadjuvantes, porém está com ingesta praticamente nula de alimentos há vários dias. Qual é a melhor estratégia cirúrgica de via alimentar a ser indicada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar uma gastrostomia endoscópica.
  2. B) Realizar uma gastrostomia laparoscópica.
  3. C) Realizar uma jejunostomia.
  4. D) Realizar uma ileostomia.
  5. E) Realizar uma esofagostomia.

Pérola Clínica

Estenose esofágica maligna não transponível → jejunostomia para nutrição enteral pré-quimio/radio.

Resumo-Chave

Em pacientes com estenose esofágica maligna que impede a alimentação oral e necessitam de tratamento neoadjuvante, a jejunostomia é a via preferencial para nutrição enteral. A gastrostomia é contraindicada se o estômago for utilizado na reconstrução esofágica futura ou se houver risco de metástases gástricas.

Contexto Educacional

O carcinoma epidermoide de esôfago é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, e a disfagia é um sintoma comum que leva à desnutrição. Pacientes com estenose esofágica maligna que impede a passagem do endoscópio e que serão submetidos a quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes necessitam de suporte nutricional adequado para tolerar o tratamento e melhorar os desfechos cirúrgicos. A escolha da via alimentar é crucial. A jejunostomia de alimentação é a opção preferencial nesses casos. Isso ocorre porque o estômago é frequentemente utilizado como conduto para a reconstrução esofágica após a esofagectomia, e a realização de uma gastrostomia poderia comprometer sua vascularização, dificultar a mobilização ou introduzir um sítio de infecção. Além disso, em tumores de esôfago distal, há o risco de envolvimento gástrico subclínico. A jejunostomia permite a administração de dietas enterais, garantindo o aporte calórico e proteico necessário para o paciente. É um procedimento relativamente seguro, que pode ser realizado por via laparoscópica ou aberta. O manejo nutricional adequado é um pilar fundamental no tratamento multimodal do câncer de esôfago, contribuindo para a melhora da qualidade de vida e da resposta aos tratamentos oncológicos.

Perguntas Frequentes

Por que a jejunostomia é preferível à gastrostomia em casos de câncer de esôfago?

A jejunostomia é preferível porque o estômago pode ser necessário para a reconstrução esofágica após a esofagectomia, ou pode haver risco de envolvimento tumoral gástrico. Além disso, a gastrostomia pode dificultar a mobilização gástrica durante a cirurgia definitiva.

Quais são as principais indicações para uma via alimentar cirúrgica em pacientes com câncer de esôfago?

As principais indicações incluem disfagia grave que impede a ingesta oral adequada, desnutrição significativa ou risco de desnutrição, e a necessidade de suporte nutricional prolongado durante tratamentos neoadjuvantes (quimioterapia e radioterapia) ou paliativos.

Quais são os riscos e complicações associados à jejunostomia?

Os riscos incluem infecção no local da incisão, vazamento de conteúdo intestinal, obstrução ou deslocamento da sonda, e complicações metabólicas relacionadas à nutrição enteral. Complicações menos comuns são hemorragia e perfuração intestinal.

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