HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
A abreviação do jejum pré-operatório tem sido bastante discutida dentro dos protocolos de otimização da recuperação pós-operatória. Para um paciente jovem e sem comorbidades, em programação de cirurgia eletiva de médio porte, a suplementação com líquidos claros sem resíduos, ricos em carboidratos, pode ser realizada até quanto tempo antes da cirurgia?
Protocolos ERAS/ACERTO: jejum de 2h para líquidos claros com carboidratos e 6-8h para sólidos em pacientes sem risco de broncoaspiração.
A abreviação do jejum para 2 horas para líquidos claros com carboidratos visa reduzir a resposta metabólica ao estresse cirúrgico. Isso diminui a resistência à insulina, a sede e o desconforto do paciente, melhorando a recuperação pós-operatória sem aumentar o risco de aspiração.
As diretrizes tradicionais de jejum pré-operatório, que recomendavam jejum absoluto a partir da meia-noite, foram reavaliadas nas últimas décadas. Protocolos multimodais de otimização da recuperação pós-operatória, como o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) e o ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória) no Brasil, demonstraram que o jejum prolongado é desnecessário para a maioria dos pacientes e pode ser deletério. Estudos de esvaziamento gástrico mostraram que líquidos claros sem resíduos, como água, chás e sucos sem polpa, são completamente eliminados do estômago em até 90 minutos. Com base nisso, as sociedades de anestesiologia estabeleceram como segura a ingestão desses líquidos até 2 horas antes da indução anestésica em pacientes sem risco aumentado de aspiração pulmonar. A adição de carboidratos (maltodextrina) a essa bebida tem benefícios metabólicos adicionais. O objetivo da abreviação do jejum é manter o paciente o mais próximo possível de um estado fisiológico alimentado, minimizando a resposta ao estresse cirúrgico. Isso resulta em menor resistência insulínica, menor catabolismo proteico, e maior conforto para o paciente, que relata menos sede, fome e ansiedade. Essa prática é um componente chave para uma recuperação mais rápida e com menos complicações no pós-operatório.
Pacientes com risco aumentado de broncoaspiração não são candidatos. Isso inclui gestantes, pacientes com obesidade mórbida, refluxo gastroesofágico grave, gastroparesia (comum em diabéticos), ou obstrução intestinal.
A solução de carboidratos (geralmente maltodextrina) visa modular a resposta endócrino-metabólica ao trauma. Ela reduz a resistência à insulina pós-operatória, preserva a massa magra e diminui o estresse catabólico, além de melhorar o bem-estar do paciente.
O tempo recomendado é de 6 horas para uma refeição leve (ex: torradas, chá) e 8 horas para refeições mais pesadas ou gordurosas. Para leite e fórmula infantil, o tempo é de 6 horas, e para leite materno, 4 horas.
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