Ivabradina na Insuficiência Cardíaca: Indicações e Uso

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

De acordo com a Atualização da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica 2018, identificar a indicação CORRETA para o tratamento farmacológico da Insuficiência Cardíaca Crônica:

Alternativas

  1. A) Digoxina em pacientes assintomáticos, porém com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) maior ou igual a 45% em ritmo sinusal.
  2. B) Diltiazem ou Verapamil em pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio e intolerantes aos betabloqueadores para redução do risco de morte.
  3. C) Bisoprolol, Carvedilol ou Tartarato de Metoprolol em pacientes com disfunção sistólica e FEVE menor que 40%. 
  4. D) Ivabradina em pacientes com disfunção sistólica (classe funcional II-IV da NYHA), ritmo sinusal e FC maior que 70bpm em uso de inibidores da ECA (ou bloqueadores dos receptores de angiotensina) + betabloqueadores em doses máximas toleradas. 

Pérola Clínica

Ivabradina na IC: FEVE reduzida, CF II-IV NYHA, ritmo sinusal, FC > 70 bpm, otimização IECA/BRA + betabloqueador.

Resumo-Chave

A Ivabradina é indicada para pacientes com insuficiência cardíaca crônica sintomática (CF II-IV NYHA) com fração de ejeção reduzida, em ritmo sinusal e frequência cardíaca > 70 bpm, que já estão em uso de doses máximas toleradas de betabloqueadores (ou contraindicação a eles) e IECA/BRA. Ela age reduzindo a frequência cardíaca sem afetar a contratilidade.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas típicos (dispneia, fadiga, edema) e sinais (pressão venosa jugular elevada, estertores pulmonares, edema periférico) causados por uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que resulta em redução do débito cardíaco e/ou pressões intracardíacas elevadas em repouso ou estresse. O tratamento farmacológico da IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é um pilar fundamental para melhorar a qualidade de vida e reduzir morbimortalidade, sendo constantemente atualizado por diretrizes nacionais e internacionais. A terapia medicamentosa para ICFEr inclui inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), betabloqueadores (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato de liberação prolongada) e antagonistas do receptor de mineralocorticoide (espironolactona, eplerenona). Esses medicamentos formam a base do tratamento e devem ser otimizados antes da introdução de outras terapias. A Ivabradina surge como uma opção adicional para pacientes que permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada. A Ivabradina é um agente que reduz a frequência cardíaca ao inibir seletivamente a corrente If no nó sinoatrial. Sua indicação é específica para pacientes com ICFEr sintomática (Classe Funcional II-IV da NYHA), em ritmo sinusal, com frequência cardíaca ≥ 70 bpm, que já estão recebendo doses máximas toleradas de betabloqueadores (ou que possuem contraindicação a eles) e IECA/BRA. O objetivo é reduzir eventos cardiovasculares e hospitalizações por IC. É crucial que o residente compreenda a sequência de introdução dos medicamentos e as condições específicas para cada um, a fim de aplicar a terapia de forma eficaz e segura.

Perguntas Frequentes

Quando a Ivabradina é indicada para pacientes com insuficiência cardíaca?

É indicada para pacientes com IC crônica sintomática (CF II-IV NYHA), FEVE reduzida, ritmo sinusal, FC > 70 bpm, que já estão em doses máximas toleradas de betabloqueadores e IECA/BRA (ou com contraindicação a betabloqueadores).

Qual o mecanismo de ação da Ivabradina na insuficiência cardíaca?

A Ivabradina atua inibindo seletivamente a corrente If (funny current) no nó sinoatrial, o que resulta na redução da frequência cardíaca sem afetar a contratilidade miocárdica ou a pressão arterial, melhorando o prognóstico na IC.

Quais são as contraindicações para o uso de Ivabradina?

As principais contraindicações incluem bradicardia grave (< 60 bpm), choque cardiogênico, infarto agudo do miocárdio, hipotensão grave, fibrilação atrial, insuficiência hepática grave e uso concomitante de inibidores potentes do CYP3A4.

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