ICFEr: Quando Adicionar Ivabradina ao Tratamento?

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente portador de ICFEr, FE = 35% e NYHA II vai ao ambulatório para consulta de rotina. Ao exame, observam-se ritmo regular, FC = 70 bpm, PA 120x80 mmHg e um perfil quente e seco. Faz uso regular de Bisoprolol 10 mg/dia, Enalapril 20 mg/dia e Espironolactona 25 mg/dia. Nesse caso, a conduta mais apropriada é:

Alternativas

  1. A) manter a medicação.
  2. B) aumentar o Enalapril para 40 mg/dia.
  3. C) acrescentar Ivabradina 5 mg, duas vezes ao dia.
  4. D) acrescentar Digoxina, 0.125 mg/dia.

Pérola Clínica

ICFEr NYHA II, FC ≥ 70 bpm em ritmo sinusal com TMO → Ivabradina para reduzir eventos.

Resumo-Chave

A Ivabradina é indicada para pacientes com ICFEr sintomáticos (NYHA II-IV) em ritmo sinusal com frequência cardíaca ≥ 70 bpm, que já estão em terapia medicamentosa otimizada (beta-bloqueador, IECA/BRA, antagonista do receptor mineralocorticoide). Ela atua inibindo o canal If no nó sinusal, reduzindo a FC sem afetar a contratilidade.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. Afeta milhões de pessoas globalmente, sendo uma das principais causas de morbimortalidade e hospitalizações. O manejo visa aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida. O tratamento da ICFEr baseia-se em pilares farmacológicos que incluem beta-bloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), e antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM). Para pacientes que permanecem sintomáticos (NYHA II-IV) apesar da otimização dessas terapias e que apresentam ritmo sinusal com frequência cardíaca ≥ 70 bpm, a Ivabradina é uma medicação de segunda linha que demonstrou reduzir eventos cardiovasculares. A Ivabradina atua especificamente no nó sinusal, diminuindo a frequência cardíaca sem afetar a contratilidade miocárdica. Sua adição ao esquema terapêutico é crucial para pacientes que não atingem a frequência cardíaca alvo com beta-bloqueadores ou que possuem contraindicações a eles, otimizando o controle da FC e melhorando o prognóstico. É fundamental que residentes compreendam os critérios de indicação e o momento certo para introduzir essa terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar Ivabradina na ICFEr?

A Ivabradina é indicada para pacientes com ICFEr sintomáticos (NYHA II-IV), em ritmo sinusal, com frequência cardíaca ≥ 70 bpm, que já estão recebendo terapia medicamentosa otimizada (beta-bloqueador, IECA/BRA, antagonista do receptor mineralocorticoide).

Qual o mecanismo de ação da Ivabradina?

A Ivabradina atua seletivamente inibindo o canal If ("funny current") no nó sinusal, o que resulta na redução da frequência cardíaca sem impactar a contratilidade miocárdica ou a pressão arterial de forma significativa.

Por que não aumentar o Enalapril ou adicionar Digoxina neste caso?

O Enalapril já está em dose alta e o paciente está euvolêmico. A Digoxina tem um papel mais limitado na ICFEr, principalmente para controle de sintomas e hospitalizações, e não é a primeira escolha para otimização da FC em ritmo sinusal quando a Ivabradina é indicada.

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