HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2022
Considere que uma paciente de um ano e 10 meses de idade, sexo feminino, é levada pela mãe ao pediatra da Unidade Básica de Saúde com relato de febre, polaciúria, irritabilidade e vômitos frequentes. Desde o início do quadro, há 48 horas, não consegue comer quase nada, apresenta vômitos e está mais prostrada. Ao exame físico, apresenta-se desidratada, taquicárdica e com perfusão capilar = 5’. Nesse caso, qual é a conduta correta a ser adotada?
Criança <2 anos com ITU febril e sinais de gravidade → internação e ATB venoso imediato pós-urocultura.
Lactentes e crianças pequenas com ITU febril e sinais de toxicidade (desidratação, prostração, taquicardia, TPC >3s) têm alto risco de pielonefrite e sepse. Nesses casos, a conduta é internação hospitalar para hidratação e início de antibioticoterapia endovenosa empírica após coleta de urocultura.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, sendo particularmente desafiadora em lactentes e crianças pequenas devido à inespecificidade dos sintomas. A ITU febril nessa faixa etária é um marcador de risco para pielonefrite e, consequentemente, para cicatrizes renais e hipertensão arterial futura, tornando seu diagnóstico e manejo precoces cruciais. Em crianças menores de 2 anos, os sintomas de ITU podem ser sutis e inespecíficos, como febre, irritabilidade, vômitos, recusa alimentar e prostração. A presença de sinais de toxicidade, como desidratação, taquicardia e tempo de preenchimento capilar prolongado, indica um quadro grave que exige atenção imediata. O diagnóstico é confirmado pela urocultura, mas a conduta inicial não deve aguardar seu resultado em casos graves. Nesses casos de ITU febril com sinais de gravidade em lactentes, a conduta correta é o encaminhamento imediato para uma unidade de pronto atendimento ou internação hospitalar. Após a coleta de urina para exames (urocultura), deve-se iniciar prontamente a antibioticoterapia endovenosa empírica, visando cobrir os patógenos mais comuns (principalmente E. coli), e promover a hidratação adequada. A investigação de anomalias anatômicas das vias urinárias (ultrassom, uretrocistografia miccional) será realizada após a estabilização e tratamento da infecção aguda.
Sinais de gravidade em ITU febril pediátrica incluem desidratação, prostração, taquicardia, tempo de preenchimento capilar prolongado (>3 segundos), vômitos persistentes, recusa alimentar e alteração do estado de consciência, indicando risco de sepse.
O tratamento venoso é indicado para ITU grave em crianças, especialmente lactentes, devido ao alto risco de pielonefrite e bacteremia. A via venosa garante absorção rápida e níveis séricos adequados do antibiótico, prevenindo complicações renais e sistêmicas.
A investigação de malformações urinárias (com ultrassom de vias urinárias e, em alguns casos, uretrocistografia miccional) é recomendada após a primeira ITU febril em lactentes e crianças pequenas, ou em casos de ITUs recorrentes, para identificar anomalias que predispõem à infecção.
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