ITU na Gravidez: Tratamento e Contraindicações de Antibióticos

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

O aparecimento da infecção do trato urinário (ITU), configura uma das mais comuns complicações médicas da gravidez. A bacteriúria assintomática ocorre em 2 a 7% das gestações e, seu rastreamento e tratamento é muito importante para reduzir a progressão às consequências mais severas. Em relação à terapêutica das ITU, tem-se que:

Alternativas

  1. A) O uso da Nitrofurantoina está contraindicado a partir da 36a semana de gestação, em função da possibilidade de desenvolvimento da hipertensão materna.
  2. B) O uso da Nitrofurantoina está contraindicado durante a lactação, em função do risco de o recém-nato desenvolver anemia hemolítica, caso tenha deficiência de glicose-6-fosfato.
  3. C) A E. coli mostra-se resistente a Ampicilina em cerca de 80% dos casos de ITU em gestantes.
  4. D) As Tetraciclinas e Quinolonas mostram-se tóxicas para as gestantes.

Pérola Clínica

ITU gestacional: E. coli alta resistência à Ampicilina; Nitrofurantoína contraindicada >36 sem e em lactação (G6PD).

Resumo-Chave

A ITU na gravidez exige tratamento cuidadoso devido aos riscos maternos e fetais. A alta resistência da E. coli à ampicilina torna-a uma escolha menos favorável. A nitrofurantoína, embora útil, possui contraindicações específicas no final da gestação e na lactação, especialmente em casos de deficiência de G6PD no recém-nato.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum na gravidez, com a bacteriúria assintomática afetando 2 a 7% das gestantes. O rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática são cruciais, pois reduzem o risco de pielonefrite aguda em até 70%, além de diminuir a incidência de parto prematuro e baixo peso ao nascer. A Escherichia coli é o principal agente etiológico, responsável por cerca de 80% dos casos. A escolha do antibiótico para ITU na gestação deve considerar a segurança fetal e a eficácia contra os patógenos comuns. A ampicilina, embora historicamente usada, apresenta uma taxa de resistência da E. coli de aproximadamente 80% em gestantes, tornando-a uma opção menos confiável para tratamento empírico. Cefalosporinas (como cefalexina) e fosfomicina são geralmente consideradas seguras e eficazes. A nitrofurantoína é uma opção válida, mas possui contraindicações importantes: não deve ser usada a partir da 36ª semana de gestação devido ao risco de anemia hemolítica neonatal, e é contraindicada durante a lactação se o recém-nato tiver deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Tetraciclinas e quinolonas são formalmente contraindicadas na gravidez devido aos seus potenciais efeitos teratogênicos e toxicidade fetal, respectivamente.

Perguntas Frequentes

Por que a bacteriúria assintomática deve ser rastreada e tratada na gravidez?

A bacteriúria assintomática na gravidez é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de pielonefrite aguda, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Seu rastreamento e tratamento reduzem drasticamente essas complicações.

Quais antibióticos são contraindicados na gravidez para ITU?

As tetraciclinas são contraindicadas devido ao risco de coloração dentária e alterações ósseas no feto. As quinolonas são contraindicadas pelo risco de artropatia fetal. A nitrofurantoína é contraindicada a partir da 36ª semana de gestação e na lactação em casos de deficiência de G6PD no RN.

Qual a eficácia da ampicilina para ITU em gestantes?

A ampicilina apresenta alta taxa de resistência pela E. coli, principal agente etiológico da ITU, em cerca de 80% dos casos em gestantes. Por isso, não é a primeira escolha empírica, sendo preferíveis cefalosporinas ou fosfomicina.

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