CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2016
Cirurgia de estrabismo pode levar a atrofia setorial da íris. Isto é explicado porque:
Desinserção de músculos retos → Lesão de artérias ciliares anteriores → Risco de isquemia de íris.
As artérias ciliares anteriores viajam dentro dos músculos retos. A desinserção cirúrgica de múltiplos músculos (especialmente >2) pode comprometer o suprimento sanguíneo do segmento anterior, causando atrofia de íris.
A Isquemia do Segmento Anterior (ISA) é uma complicação temida na cirurgia de estrabismo e em outros procedimentos que envolvem manipulação dos músculos extraoculares, como a cirurgia de descolamento de retina com introflexão escleral. A anatomia vascular é a chave para entender esse fenômeno: as artérias ciliares anteriores originam-se das artérias musculares e fornecem cerca de 70-80% do sangue para o círculo arterial maior da íris. O risco é maior em pacientes com circulação já comprometida, como portadores de anemia falciforme, aterosclerose ou diabetes. O conhecimento preciso de quais músculos estão sendo manipulados (o reto superior e o reto medial são particularmente importantes pelo volume de fluxo que carregam) permite ao oftalmologista planejar intervenções mais seguras, minimizando danos iatrogênicos à perfusão ocular.
A vascularização do segmento anterior do olho depende de sete artérias ciliares anteriores, que caminham junto aos quatro músculos retos (duas em cada reto, exceto no reto lateral, que possui apenas uma). Durante a cirurgia de estrabismo, a desinserção do tendão muscular da esclera interrompe o fluxo dessas artérias. Se muitos músculos forem operados simultaneamente (geralmente três ou mais no mesmo olho), o suprimento sanguíneo remanescente — vindo das artérias ciliares posteriores longas e dos músculos não operados — pode ser insuficiente para nutrir a íris e o corpo ciliar, resultando em isquemia e atrofia setorial.
Os sinais de ISA variam de leves a graves e incluem: atrofia setorial da íris, corectopia (distorção da pupila), midríase paralítica, uveíte anterior (reação de câmara anterior), edema de córnea estromal e, em casos severos, hipotonia ocular e tise bulbar. A atrofia da íris manifesta-se como áreas de afinamento do estroma iriano e perda de pigmento, muitas vezes visíveis à transiluminação no exame de lâmpada de fenda.
Para prevenir a ISA, cirurgiões evitam operar mais de dois músculos retos no mesmo olho em um único tempo cirúrgico, especialmente em pacientes idosos ou com vasculopatias. Técnicas que preservam as artérias ciliares (dissecção cuidadosa dos vasos antes da desinserção do tendão) podem ser empregadas. Além disso, o uso de toxina botulínica em um dos músculos como alternativa à cirurgia ou o escalonamento dos procedimentos (esperar meses entre as cirurgias para permitir revascularização colateral) são estratégias fundamentais.
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