CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Durante a cirurgia de estrabismo, não se deve desinserir mais que dois músculos retos do mesmo olho pelo risco de:
Desinserção > 2 músculos retos → risco de isquemia do segmento anterior por dano ciliar.
As artérias ciliares anteriores caminham junto aos músculos retos; a desinserção excessiva compromete o aporte sanguíneo para a íris e corpo ciliar.
A vascularização do segmento anterior do olho depende majoritariamente das artérias ciliares anteriores (ramos das artérias musculares) e das artérias ciliares longas posteriores. Cada músculo reto (superior, inferior e medial) transporta duas artérias ciliares anteriores, enquanto o reto lateral transporta apenas uma. Na prática cirúrgica do estrabismo, a regra de ouro é evitar a manipulação de mais de dois músculos retos simultaneamente para prevenir a Isquemia do Segmento Anterior (ISA). Pacientes idosos ou com doenças vasculares sistêmicas apresentam risco aumentado e exigem cautela redobrada.
A causa é a interrupção do fluxo sanguíneo das artérias ciliares anteriores, que viajam dentro dos quatro músculos retos (dois em cada, exceto o reto lateral que possui apenas uma). Ao desinserir mais de dois músculos, o suprimento para o círculo arterial maior da íris é severamente reduzido.
Os sinais incluem edema corneano, reação de câmara anterior (flare e células), atrofia de íris, corectopia (pupila irregular) e, em casos graves, catarata e tise bulbar.
Deve-se realizar o procedimento em tempos cirúrgicos diferentes (intervalo de meses) para permitir a revascularização colateral ou utilizar técnicas que preservam as artérias ciliares anteriores durante a desinserção muscular.
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