Isquemia Mesentérica Não Oclusiva no Paciente Crítico

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 40 anos está internado em unidade de terapia intensiva, em estado grave, há 15 dias devido a sepse de origem pulmonar. A despeito de doses altas de aminas vasoativas, mantém PAM de 60 mmHg e FC de 112 bpm (ritmo regular). Há 24 horas evoluiu com piora significativa do quadro clínico, com distensão abdominal e hipertimpanismo. Ao toque retal, evidenciou-se presença de moderada quantidade de muco e sangue. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Trombose arterial mesentérica.
  2. B) Trombose venosa mesentérica.
  3. C) Embolia da artéria mesentérica superior.
  4. D) Isquemia intestinal não oclusiva.
  5. E) Intussuscepção de intestino delgado.

Pérola Clínica

Paciente crítico + Vasopressores ↑ + Distensão abdominal/Sangue retal → Isquemia Mesentérica Não Oclusiva.

Resumo-Chave

A Isquemia Mesentérica Não Oclusiva (NOMI) ocorre por vasoconstrição esplâncnica intensa em estados de baixo débito ou uso de altas doses de aminas.

Contexto Educacional

A Isquemia Mesentérica Não Oclusiva (NOMI) representa cerca de 20% dos casos de isquemia mesentérica aguda e ocorre predominantemente em pacientes idosos ou criticamente enfermos. No contexto de sepse grave e choque, a redistribuição do fluxo sanguíneo prioriza órgãos vitais (cérebro e coração) em detrimento do trato gastrointestinal. O uso de aminas vasoativas agrava esse fenômeno. O quadro clínico descrito (distensão, hipertimpanismo e eliminação de muco/sangue) em um paciente com PAM limítrofe e doses altas de vasopressores é altamente sugestivo de NOMI. O manejo foca na otimização hemodinâmica e, se possível, redução das drogas vasoconstritoras.

Perguntas Frequentes

O que causa a Isquemia Mesentérica Não Oclusiva (NOMI)?

A NOMI é causada por uma vasoconstrição persistente das artérias mesentéricas em resposta a estados de baixo fluxo sanguíneo sistêmico ou uso de drogas vasoconstritoras (como noradrenalina em altas doses). É uma falha na autorregulação do fluxo sanguíneo intestinal.

Quais os sinais clínicos de NOMI na UTI?

Os sinais podem ser inespecíficos, incluindo distensão abdominal, hipertimpanismo, redução de ruídos hidroaéreos, acidose metabólica inexplicada e, em estágios avançados, a presença de muco e sangue no toque retal (sinal de sofrimento de mucosa).

Como é feito o diagnóstico de NOMI?

O diagnóstico é clínico-radiológico. A angiotomografia de abdome pode mostrar estreitamento difuso das artérias mesentéricas sem evidência de trombo intraluminal, além de sinais de sofrimento de alça como pneumatose intestinal em casos graves.

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