USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem de 64 anos com quadro de perda acentuada de peso (20 kg em 6 meses), astenia e dor abdominal pós prandial. Possui hipertensão arterial sistêmica descontrolada e tabagismo ativo. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, hipocorado e hidratado. Peso atual 47 kg, Abdome escavado sem dor à palpação no momento. Aorta abdominal palpável e pulsátil, porém endurecida. Sopro sistólico audível em mesogástrio sem alteração com a respiração. Pulsos em membros inferiores presentes e simétricos. Realizou tomografia de abdome abaixo: Qual o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal pós-prandial + perda de peso + aterosclerose = Isquemia Mesentérica Crônica.
A isquemia mesentérica crônica é caracterizada pela tríade clássica de dor abdominal pós-prandial (angina abdominal), perda de peso e medo de comer (sitiofobia), em um paciente com fatores de risco para aterosclerose. O sopro abdominal pode ser um achado físico relevante.
A isquemia mesentérica crônica é uma condição grave, mas muitas vezes subdiagnosticada, que resulta da redução do fluxo sanguíneo para o intestino devido à aterosclerose das artérias mesentéricas. É crucial para residentes reconhecerem essa condição, pois o atraso no diagnóstico pode levar à isquemia mesentérica aguda e necrose intestinal, com alta mortalidade. A epidemiologia está ligada aos fatores de risco cardiovasculares. A fisiopatologia envolve a formação de placas ateroscleróticas nas artérias mesentéricas, que causam estenose e reduzem o fluxo sanguíneo, especialmente após as refeições, quando a demanda metabólica do intestino aumenta. Isso leva à dor abdominal pós-prandial, conhecida como "angina abdominal". A dor leva à sitiofobia e, consequentemente, à perda de peso. O sopro abdominal pode ser um sinal de estenose arterial. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica e confirmado por exames de imagem, como a angiotomografia ou angiorressonância, que demonstram as estenoses arteriais. O tratamento visa restaurar o fluxo sanguíneo, seja por angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização, aliviando os sintomas e prevenindo complicações isquêmicas agudas.
A tríade clássica inclui dor abdominal pós-prandial (angina abdominal), perda de peso significativa e sitiofobia (medo de comer devido à dor), que se manifestam em pacientes com aterosclerose.
Os principais fatores de risco são aqueles relacionados à aterosclerose, como tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus e idade avançada, que levam à estenose arterial.
A angiotomografia de abdome pode identificar estenoses ou oclusões nas artérias mesentéricas (superior e inferior), que são a causa subjacente da isquemia, confirmando o diagnóstico.
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