Isquemia Mesentérica Crônica: Diagnóstico e Manejo

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 61 anos de idade, tabagista, com diabetes mellitus e hipertensão arterial, ambas sob controle, procura o cirurgião referindo que ultimamente vem sentindo dor abdominal intensa cerca de 20 minutos após as refeições, que cede com o passar do tempo. Emagreceu cerca de 5 kg nos últimos dois meses. Abdômen é flácido, sem massas ou visceromegalias palpáveis. Os exames laboratoriais estão dentro da faixa de normalidade, exceto pela glicemia, cujo valor é de 136 mg/dL. O ECG mostra alterações difusas da repolarização e a USG abdominal é normal. Neste caso, deve-se suspeitar de:

Alternativas

  1. A) Apendicite crônica.
  2. B) Tumor de pâncreas.
  3. C) Doença diverticular colônica.
  4. D) Colecistite aguda.
  5. E) Isquemia mesentérica crônica.

Pérola Clínica

Dor abdominal pós-prandial + perda de peso em paciente com fatores de risco vascular → Isquemia Mesentérica Crônica.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica crônica é caracterizada pela "angina abdominal", uma dor intensa que surge após as refeições devido ao aumento da demanda metabólica do intestino e suprimento sanguíneo insuficiente. A perda de peso é comum devido ao medo de comer (sitiofobia).

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica crônica (IMC) é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela redução crônica do fluxo sanguíneo para o intestino, geralmente devido à aterosclerose das artérias mesentéricas. É mais comum em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, diabetes e hipertensão. A importância clínica reside na sua capacidade de causar dor debilitante e perda de peso significativa, além do risco de progressão para isquemia mesentérica aguda. A fisiopatologia envolve o estreitamento progressivo das artérias mesentéricas (superior, inferior e tronco celíaco), levando a um desequilíbrio entre a demanda metabólica intestinal e o suprimento sanguíneo, especialmente após as refeições. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de dor abdominal pós-prandial (angina abdominal), perda de peso e medo de comer (sitiofobia). Exames complementares como angiotomografia ou angioressonância são cruciais para confirmar o diagnóstico e identificar as lesões vasculares. O tratamento da IMC visa restaurar o fluxo sanguíneo adequado para o intestino e aliviar os sintomas. As opções incluem revascularização cirúrgica (bypass) ou endovascular (angioplastia com stent). O manejo clínico com otimização dos fatores de risco cardiovascular e terapia antiplaquetária também é fundamental. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce e tratamento adequado, prevenindo complicações graves como a isquemia mesentérica aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da isquemia mesentérica crônica?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa pós-prandial (angina abdominal), que cede com o tempo, e perda de peso inexplicada devido à sitiofobia.

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica crônica?

Os principais fatores de risco são aterosclerose, tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemia, condições que afetam a circulação sanguínea.

Como é feito o diagnóstico de isquemia mesentérica crônica?

O diagnóstico é baseado na história clínica, fatores de risco e exames de imagem como angiotomografia, angioressonância ou arteriografia mesentérica, que visualizam as artérias mesentéricas.

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