UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 72a, procura Pronto Socorro queixando-se de dor abdominal em cólica há um mês, periumbilical, com piora há uma semana, principalmente após as refeições, sem melhora com analgésicos e necessitando permanecer em posição antálgica. Antecedente pessoal: infarto agudo do miocárdio há 12 anos, diabetes melito há 22 anos, tabagismo 40 anos/maço. Exame físico: FC=108bpm; PA=162x78mmHg; abdome: plano, normotenso, flácido, sem irritação peritoneal, sem tumor palpável; membros inferiores: pulsos pediosos ausentes, pulsos tibiais posteriores presentes. A HIPÓTESE DIAGNOSTICA É:
Dor abdominal pós-prandial + fatores de risco vascular → Angina mesentérica.
A angina mesentérica crônica é uma condição causada pela aterosclerose das artérias mesentéricas, resultando em isquemia intestinal após as refeições, quando a demanda metabólica do intestino aumenta. A dor abdominal em cólica, periumbilical, que piora após comer e leva a 'medo de comer' (food fear) e perda de peso, em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, é altamente sugestiva desse diagnóstico.
A angina mesentérica, ou isquemia mesentérica crônica, é uma condição causada pela aterosclerose das artérias que irrigam o intestino. Assim como a angina cardíaca, ocorre quando o suprimento sanguíneo não consegue atender à demanda metabólica, especialmente após as refeições, quando o fluxo sanguíneo para o trato gastrointestinal aumenta significativamente. É mais comum em idosos e em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, diabetes melito, hipertensão e histórico de doença aterosclerótica em outros leitos vasculares (ex: infarto agudo do miocárdio, doença arterial periférica). Os sintomas típicos incluem dor abdominal em cólica, periumbilical, que se inicia após as refeições e pode durar algumas horas. Essa dor leva ao que é conhecido como 'medo de comer' (food fear), onde o paciente restringe a ingestão alimentar para evitar a dor, resultando em perda de peso. O exame físico pode revelar sinais de aterosclerose sistêmica, como pulsos periféricos diminuídos ou ausentes. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e fatores de risco, e confirmado por exames de imagem que visualizam as artérias mesentéricas, como a angiotomografia ou angioressonância. O tratamento visa restaurar o fluxo sanguíneo adequado, seja por revascularização endovascular (angioplastia com stent) ou cirúrgica (bypass), e o controle rigoroso dos fatores de risco ateroscleróticos. A não identificação e tratamento podem levar à isquemia mesentérica aguda, uma emergência cirúrgica com alta mortalidade.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em cólica, geralmente periumbilical, que se inicia 30-60 minutos após as refeições e dura algumas horas. Essa dor leva ao 'medo de comer' (food fear), resultando em perda de peso não intencional.
Os principais fatores de risco são os mesmos da aterosclerose sistêmica: idade avançada, tabagismo, diabetes melito, hipertensão arterial, dislipidemia e histórico de outras doenças ateroscleróticas, como infarto agudo do miocárdio ou doença arterial periférica.
O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem que demonstram estenose ou oclusão de duas ou mais artérias mesentéricas principais (tronco celíaco, artéria mesentérica superior, artéria mesentérica inferior), como angiotomografia, angioressonância ou angiografia digital.
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