Isquemia Mesentérica: Diagnóstico por Angiotomografia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 77a, procura atendimento médico por apresentar dor abdominal difusa, uma hora após as refeições, de forte intensidade, tipo aperto, há 40 dias, com melhora espontânea. Hoje, três horas após almoço iniciou dor persistente e de maior intensidade, fazendo-a procurar Pronto Socorro. Nega alterações do hábito intestinal e urinário. Antecedentes Pessoais: dislipidemia abagismo= 27 anos/maço; revascularização do membro inferior direito há dois anos; em uso de cilostazol, sinvastatina e AAS diário. Exame físico: descorada +/+4, hidratada, afebril, PA= 123x76 mmHg, FC= 95 bpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 93%; abdome: plano, normotenso, sem distensão, ruídos hidroaéreos presentes, dor à palpação sem visceromegalia e sem irritação peritoneal. O EXAME PARA CONFIRMAÇÃO DA HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

  1. A) Cintilografia com hemácias marcadas.
  2. B) Endoscopia digestiva alta.
  3. C) Ultrassonografia de abdome superior.
  4. D) Angiotomografia de abdome.

Pérola Clínica

Dor abdominal pós-prandial em idoso com aterosclerose → suspeitar isquemia mesentérica → Angiotomografia.

Resumo-Chave

A dor abdominal pós-prandial, tipo aperto, em paciente idosa com múltiplos fatores de risco cardiovascular e história de revascularização periférica, é altamente sugestiva de isquemia mesentérica. A angiotomografia de abdome é o exame de escolha para visualizar as artérias mesentéricas e confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica é uma condição grave causada pela redução do fluxo sanguíneo para o intestino, geralmente devido à aterosclerose das artérias mesentéricas. É mais comum em idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como dislipidemia, tabagismo e histórico de doença vascular periférica. A apresentação clássica da isquemia mesentérica crônica é a 'angina abdominal', caracterizada por dor pós-prandial que leva à sitofobia e perda de peso. O diagnóstico precoce é crucial, pois a progressão para isquemia mesentérica aguda pode resultar em infarto intestinal e alta mortalidade. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com a tríade de dor abdominal pós-prandial, perda de peso e sopro abdominal. A angiotomografia de abdome é o método diagnóstico de escolha, permitindo a visualização direta das artérias mesentéricas e a identificação de lesões obstrutivas. O tratamento visa restaurar o fluxo sanguíneo, podendo envolver revascularização cirúrgica ou endovascular. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais e sintomas, valorizar a história clínica vascular e solicitar o exame de imagem adequado para um diagnóstico rápido e manejo eficaz, evitando complicações fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica?

Os principais fatores de risco para isquemia mesentérica incluem idade avançada, aterosclerose (dislipidemia, tabagismo, hipertensão, diabetes), fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e história de doença vascular periférica ou coronariana.

Como a dor da isquemia mesentérica se manifesta tipicamente?

A dor da isquemia mesentérica crônica é tipicamente pós-prandial (1-3 horas após a refeição), difusa, tipo cólica ou aperto, e pode levar à 'angina abdominal' e medo de comer (sitofobia), resultando em perda de peso. Na isquemia aguda, a dor é súbita e intensa.

Por que a angiotomografia é o exame de escolha para isquemia mesentérica?

A angiotomografia é o exame de escolha porque permite uma visualização detalhada das artérias mesentéricas, identificando estenoses, oclusões, trombos ou embolias, além de avaliar sinais de isquemia intestinal, como espessamento da parede ou pneumatose.

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