Isquemia Mesentérica Aguda: Achados Laboratoriais Críticos

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 56 anos, vem ao pronto atendimento com queixa de dor abdominal com cerca de 12 horas de evolução. Descreve a dor como difusa, de forte intensidade e com início abrupto. Relata anorexia, náuseas e dois episódios de vômitos. Como comorbidades, cita hipertensão arterial sistêmica, em uso de enalapril, e infarto agudo do miocárdio há 3 anos, com fibrilação atrial desde então e em uso de rivaroxabana, sinvastatina e aspirina. Ao exame físico, encontra-se taquicárdica e normotensa, em regular estado geral, desidratada +/IV, hipocorada +/IV. O abdome se mostrou globoso, flácido, doloroso à palpação profunda difusa, sem sinais de peritonite. Os ruídos hidroaéreos estavam diminuídos. A paciente do caso clínico acima realiza diversos exames laboratoriais. Assinale a assertiva que contenha um achado, de alta recorrência, esperado para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Amilase elevada.
  2. B) Gasometria arterial com acidose metabólica.
  3. C) Hemograma com plaquetopenia.
  4. D) Aumento de transaminases hepáticas.
  5. E) Proteína C reativa (PCR) normal.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + Exame físico pobre + Fibrilação Atrial = Isquemia Mesentérica Aguda.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda evolui rapidamente para necrose intestinal, manifestando-se laboratorialmente com acidose metabólica e hiperlactatemia devido ao metabolismo anaeróbio.

Contexto Educacional

A Isquemia Mesentérica Aguda é uma emergência cirúrgica com alta mortalidade (60-80%). A etiologia embólica é a mais comum, frequentemente originada no átrio esquerdo em pacientes com FA não anticoagulados adequadamente ou com IAM prévio. O diagnóstico precoce é vital; laboratorialmente, além da acidose metabólica e lactato elevado, pode haver leucocitose importante. O tratamento envolve reanimação volêmica, antibioticoterapia, anticoagulação e revascularização (cirúrgica ou endovascular) com avaliação da viabilidade das alças.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da isquemia mesentérica aguda?

Embora não seja uma tríade formal, a apresentação clássica envolve: 1) Dor abdominal súbita e intensa; 2) Fatores de risco para embolia (como Fibrilação Atrial ou IAM recente); e 3) Exame físico abdominal inicialmente inocente (dor desproporcional aos achados físicos). A ausência de sinais de irritação peritoneal nas primeiras horas é característica, pois a isquemia começa na mucosa e submucosa.

Por que a acidose metabólica é um achado frequente?

A interrupção do fluxo sanguíneo para as alças intestinais leva à hipóxia tecidual severa. As células intestinais passam a realizar metabolismo anaeróbio, gerando uma produção excessiva de lactato. Esse acúmulo de ácido lático resulta em acidose metabólica com hiato aniônico (anion gap) elevado, sendo um marcador de gravidade e sofrimento de alça.

Qual o exame de imagem padrão-ouro para diagnóstico?

A Angiotomografia (Angio-TC) de abdome com contraste arterial é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade e especificidade. Ela permite visualizar falhas de enchimento na artéria mesentérica superior, espessamento de alças, pneumatose intestinal ou gás no sistema portal, além de auxiliar no planejamento cirúrgico ou endovascular.

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