Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Manejo

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 73 anos de idade é levado ao pronto-socorro pelos familiares, devido a dor abdominal de forte intensidade há um dia. Relata episódios de dor abdominal difusa há 6 meses, principalmente após alimentação, associada a náuseas e vômitos. Tem antecedente pessoal de tabagismo, etilismo, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia, em uso de hidroclorotiazida, losartana, ácido acetilsalicílico (AAS), metformina e sinvastatina. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, descorado (1+/4+), desidratado (1+/4+), com frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 80x50mmHg e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Exame cardiopulmonar está normal. Abdome globoso, ruídos hidroaéreos diminuídos, flácido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostram: hemoglobina 11,5g/dL (VR: 13 a 18g/dL), leucócitos 13.500/mm³ (VR: 4.000 - 11.000/mm3), creatinina 3,1mg/dL (VR: 0,7 - 1,3mg/dL), ureia 150mg/dL (VR: 10 - 50mg/dL), lactato arterial 3,4mmol/L (VR: 0,5 a 1,6mmol/L). Realizou tomografia de abdome, mostrada a seguir. Qual é a principal hipótese diagnóstica para este paciente?

Alternativas

  1. A) Pancreatite crônica agudizada
  2. B) Volvo de sigmoide
  3. C) Úlcera gástrica perfurada
  4. D) Isquemia intestinal

Pérola Clínica

Idoso com comorbidades + dor abdominal desproporcional ao exame + choque + acidose láctica + dor pós-prandial prévia → Isquemia Intestinal.

Resumo-Chave

O quadro de dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico, associado a choque, acidose láctica e histórico de dor pós-prandial (angina abdominal) em paciente idoso com múltiplos fatores de risco cardiovascular, é altamente sugestivo de isquemia mesentérica aguda, uma emergência cirúrgica.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à necrose tecidual. É mais comum em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo e etilismo, como o paciente do caso. A apresentação clínica é frequentemente dramática, com dor abdominal de forte intensidade, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico. A fisiopatologia envolve a oclusão arterial (embolia ou trombose) ou venosa, ou estados de baixo fluxo (isquemia não oclusiva). O histórico de dor abdominal pós-prandial (angina abdominal) por meses é um forte indicativo de isquemia mesentérica crônica subjacente, que predispõe a eventos agudos. Ao exame físico, o paciente pode apresentar sinais de choque (taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado), e o abdome pode ser doloroso difusamente, mas sem sinais claros de irritação peritoneal nas fases iniciais. Os exames laboratoriais são cruciais, revelando leucocitose, elevação de creatinina e ureia (sugerindo desidratação e lesão renal aguda) e, notavelmente, acidose metabólica com lactato elevado, um marcador sensível de isquemia tecidual. A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa (oclusão vascular) e avaliar a extensão do dano intestinal. O tratamento é uma emergência cirúrgica, visando a revascularização e ressecção do intestino necrótico, além de suporte hemodinâmico intensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Fatores de risco incluem idade avançada, fibrilação atrial, doença aterosclerótica, insuficiência cardíaca, hipertensão, diabetes e tabagismo.

Quais são os principais achados clínicos que sugerem isquemia intestinal?

Dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, náuseas, vômitos, diarreia, sinais de choque e acidose metabólica com lactato elevado.

Por que a dor abdominal pós-prandial é um sinal importante na isquemia intestinal?

A dor pós-prandial, conhecida como 'angina abdominal', sugere isquemia mesentérica crônica, que pode preceder um evento agudo devido à aterosclerose das artérias mesentéricas.

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