UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023
Paciente masculino, 74 anos, diabético, hipertenso e com bypass coronariano prévio, deu entrada no hospital com diagnóstico de pé diabético, sem sinais de sepse, sendo internado para antibioticoterapia endovenosa. No segundo dia de internação, iniciou quadro de dor abdominal difusa, intensa, encontrado gemente no quarto. Ao exame, paciente acordado, comunicativo, gemente, afebril, eupneico, taquicárdico (frequência cardíaca de 101 bpm), ritmo cardíaco irregular, pulso amplo, abdome discretamente distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, timpânico, depressível, levemente doloroso, sem sinais de irritação peritoneal. Apresentou hábito intestinal normal até o início da dor. Diante do quadro, qual dos itens abaixo combina o tipo mais provável de abdome agudo e sua respectiva propedêutica de exame de imagem mais indicada:
Dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico em idoso com comorbidades cardiovasculares → Isquemia Mesentérica.
A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovasculares (DM, HAS, DAC, FA) que apresentam dor abdominal intensa e difusa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico. A angiotomografia de abdome com contraste endovenoso é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico.
A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o intestino. Sua importância clínica reside na alta mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. É mais comum em idosos com comorbidades cardiovasculares, como fibrilação atrial, doença arterial coronariana e aterosclerose, que predispõem à formação de êmbolos ou trombos nos vasos mesentéricos. A suspeita clínica é fundamental, especialmente quando há dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico. A fisiopatologia envolve a oclusão arterial (embólica ou trombótica) ou venosa, ou ainda a isquemia não oclusiva. O diagnóstico precoce é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. A angiotomografia de abdome com contraste endovenoso é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da vasculatura mesentérica e identificação da causa da isquemia. Outros exames como lactato sérico podem ser úteis, mas não são diagnósticos definitivos. O tratamento é uma emergência médico-cirúrgica, visando restaurar o fluxo sanguíneo e ressecar segmentos intestinais necróticos. A revascularização pode ser cirúrgica ou endovascular. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e intervenção. Residentes devem estar atentos aos fatores de risco e à apresentação clínica atípica para evitar atrasos que comprometam a sobrevida do paciente.
Os sinais incluem dor abdominal intensa e difusa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico, náuseas, vômitos, diarreia e, em casos avançados, sinais de irritação peritoneal. Fatores de risco como idade avançada e doenças cardiovasculares são cruciais.
A angiotomografia de abdome com contraste endovenoso permite visualizar diretamente os vasos mesentéricos, identificar trombos ou êmbolos, estenoses e sinais de isquemia intestinal, como espessamento da parede e pneumatose, sendo rápida e amplamente disponível.
Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença aterosclerótica generalizada, insuficiência cardíaca, valvopatias, estados de hipercoagulabilidade e uso de certos medicamentos vasoativos. Idade avançada e comorbidades como diabetes e hipertensão também contribuem.
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