Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Exame Ideal

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente com 80 anos dá entrada no setor de urgência com quadro de dor abdominal intensa, de aparecimento há 30 minutos. É portador de estenose de carótida e coronariopatia. Tem como antecedentes o tabagismo e amputação de membro inferior direito em virtude de embolia arterial. O exame físico mostra abdome levemente distendido, doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal; RHA presentes, sem ascite. Tendo em vista o diagnóstico mais provável, qual o exame complementar mais apropriado?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome.
  2. B) Ultrassonografia de abdome.
  3. C) Arteriografia de vasos mesentéricos (esplâncnicos).
  4. D) Colonoscopia.

Pérola Clínica

Idoso com dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico + fatores risco vascular → Isquemia mesentérica. Arteriografia é padrão ouro.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em idosos com dor abdominal intensa e súbita, especialmente aqueles com múltiplos fatores de risco cardiovasculares e histórico de eventos embólicos. A dor é frequentemente desproporcional aos achados do exame físico inicial, e a arteriografia mesentérica é o exame padrão ouro para diagnóstico e, por vezes, tratamento.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, resultando em isquemia e necrose. É mais comum em idosos com comorbidades cardiovasculares, como fibrilação atrial, doença arterial coronariana e doença vascular periférica, que predispõem à embolia ou trombose dos vasos mesentéricos. O quadro clínico típico é de dor abdominal súbita, intensa e difusa, frequentemente descrita como 'desproporcional' aos achados do exame físico inicial, que pode ser normal ou apresentar apenas leve distensão e dor à palpação profunda. Náuseas, vômitos e diarreia podem estar presentes. A ausência de sinais de irritação peritoneal nas fases iniciais é um achado clássico, mas não exclui a condição. O diagnóstico precoce é crucial para a sobrevida. A angiotomografia computadorizada (angio-TC) de abdome com contraste é frequentemente o exame inicial de escolha na emergência, mas a arteriografia mesentérica (esplâncnica) é considerada o padrão ouro, oferecendo alta sensibilidade e especificidade, além da possibilidade de intervenção terapêutica. O tratamento pode envolver revascularização cirúrgica ou endovascular, dependendo da etiologia e da extensão da isquemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os fatores de risco incluem idade avançada, fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca congestiva, doença vascular periférica, tabagismo, hipertensão, diabetes e histórico de eventos tromboembólicos.

Por que a dor abdominal na isquemia mesentérica é frequentemente desproporcional aos achados do exame físico?

Inicialmente, a isquemia afeta a mucosa intestinal, causando dor intensa devido à irritação nervosa, mas sem inflamação peritoneal significativa. Sinais de irritação peritoneal surgem apenas em fases avançadas, quando há necrose transmural e perfuração.

Qual o papel da arteriografia mesentérica no diagnóstico e tratamento?

A arteriografia mesentérica é considerada o padrão ouro para o diagnóstico da isquemia mesentérica aguda, pois permite visualizar diretamente a oclusão ou estenose dos vasos mesentéricos. Além de diagnóstica, pode ser terapêutica, permitindo a infusão de vasodilatadores ou a realização de angioplastia.

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