Abdome Agudo Isquêmico: Diagnóstico e Sinais Chave

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 73 anos de idade, sexo feminino, IMC 23, apresenta quadro de dor abdominal de forte intensidade e de início súbito, localizada no mesogástrio. Ao exame físico, observa-se taquicardia, sem distensão abdominal e sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais mostram hemograma sem alterações significativas, uma gasometria com acidose metabólica e lactato de 7,3 mmol/L. O provável tipo de abdome agudo para esse caso é:

Alternativas

  1. A) vascular ou isquêmico.
  2. B) hemorrágico
  3. C) infeccioso. 
  4. D) perfurativo.
  5. E) obstrutivo

Pérola Clínica

Idoso com dor abdominal súbita intensa + acidose metabólica + lactato ↑ + sem irritação peritoneal → Abdome agudo isquêmico.

Resumo-Chave

A tríade de dor abdominal desproporcional ao exame físico, acidose metabólica e hiperlactatemia em um paciente idoso com início súbito é altamente sugestiva de isquemia mesentérica aguda. A ausência de sinais de irritação peritoneal é comum nas fases iniciais, antes da necrose transmural.

Contexto Educacional

O abdome agudo isquêmico, ou isquemia mesentérica aguda, é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o intestino. Afeta predominantemente idosos com fatores de risco cardiovascular, como fibrilação atrial, aterosclerose ou insuficiência cardíaca. A alta mortalidade, que pode chegar a 60-80%, ressalta a importância do diagnóstico e tratamento precoces. A fisiopatologia envolve a oclusão arterial (embolia ou trombose) ou venosa, ou isquemia não oclusiva. Clinicamente, a dor abdominal súbita e intensa, frequentemente no mesogástrio, é o sintoma cardinal, sendo muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico nas fases iniciais. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor abdominal aguda, especialmente se acompanhada de taquicardia, acidose metabólica e hiperlactatemia, mesmo na ausência de distensão abdominal ou irritação peritoneal. O tratamento é uma emergência médico-cirúrgica. A revascularização precoce, seja por via endovascular ou cirúrgica aberta, é crucial para salvar o intestino e a vida do paciente. Medidas de suporte, como hidratação, correção da acidose e uso de antibióticos de amplo espectro, também são fundamentais. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de isquemia mesentérica aguda?

Os principais sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico, náuseas, vômitos, diarreia e, em casos avançados, sinais de choque e irritação peritoneal.

Por que a acidose metabólica e o lactato elevado são marcadores importantes na isquemia mesentérica?

A isquemia tecidual leva à hipóxia celular, que desvia o metabolismo para a via anaeróbica, resultando na produção excessiva de lactato e subsequente acidose metabólica, refletindo a gravidade do dano.

Como diferenciar o abdome agudo isquêmico de outros tipos de abdome agudo?

A diferenciação se baseia na história clínica (dor súbita e intensa em idosos com fatores de risco cardiovascular), exame físico (dor desproporcional, ausência de irritação peritoneal inicial) e exames laboratoriais (hiperlactatemia, acidose metabólica).

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