Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Fatores de Risco

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 87 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica e de fibrilação atrial, comparece à unidade de emergência de um hospital terciário sentindo dor abdominal incapacitante e apresentando distensão abdominal há 1 dia. Ele relata que, por motivos de esquecimento, não toma seus medicamentos há, aproximadamente, 1 semana. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, facies de dor, palidez, sudorese, desidratado. Abdome plano, levemente distendido, com dor difusa à palpação profunda e sem sinais de irritação peritoneal. Restante do exame sem alterações. Com relação a esse caso, assinale a opção que apresenta o método complementar mais sensível e específico para realizar o diagnóstico desse paciente. 

Alternativas

  1. A) Radiografia simples do abdome.
  2. B) Dosagem sérica da desidrogenase lática. 
  3. C) Angiotomografia computadorizada de abdome com contraste.
  4. D) Ultrassonografia com Doppler colorido das artérias viscerais. 

Pérola Clínica

Dor abdominal desproporcional ao exame físico + FA + idoso → suspeitar isquemia mesentérica → Angiotomografia com contraste.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com fibrilação atrial e dor abdominal intensa, desproporcional aos achados do exame físico. A angiotomografia é o método de escolha para confirmar o diagnóstico e identificar a etiologia (embólica ou trombótica).

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia e necrose. É uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. A epidemiologia mostra maior incidência em idosos, frequentemente associada a comorbidades como fibrilação atrial, que predispõe à formação de êmbolos, e doença aterosclerótica, que pode causar trombose in situ. A fisiopatologia envolve a oclusão de uma ou mais artérias mesentéricas, geralmente a artéria mesentérica superior, por êmbolos (em 50% dos casos, frequentemente de origem cardíaca) ou trombos (em 25% dos casos, em vasos já ateroscleróticos). O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais, mas a suspeita deve ser alta em pacientes com dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico, especialmente se houver fatores de risco como fibrilação atrial. O método complementar mais sensível e específico para o diagnóstico é a angiotomografia computadorizada de abdome com contraste, que permite visualizar a oclusão vascular e avaliar a perfusão intestinal. O tratamento é cirúrgico, visando a revascularização e ressecção de segmentos intestinais necróticos, complementado por medidas de suporte e anticoagulação. O prognóstico é reservado, com alta mortalidade, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença aterosclerótica generalizada, insuficiência cardíaca, valvopatias, estados de hipercoagulabilidade e uso de cocaína. A idade avançada também é um fator predisponente.

Por que a angiotomografia com contraste é o método diagnóstico de escolha?

A angiotomografia computadorizada com contraste é o método mais sensível e específico porque permite visualizar diretamente os vasos mesentéricos, identificar oclusões (êmbolos ou trombos), avaliar a perfusão intestinal e detectar sinais de isquemia ou infarto.

Quais são os achados clínicos que sugerem isquemia mesentérica?

A tríade clássica inclui dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, náuseas/vômitos e diarreia. Em fases mais avançadas, podem surgir distensão abdominal, sangramento gastrointestinal e sinais de peritonite.

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