UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente dá entrada em unidade de emergência, com dor abdominal de início agudo, em forte intensidade, há cerca de seis horas. Ao exame físico, apresenta abdome levemente doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal, RHA diminuídos, com ausculta cardíaca sugerindo fibrilação atrial. O diagnóstico mais provável para esse paciente é
Dor abdominal aguda intensa + Fibrilação Atrial + RHA diminuídos → Alta suspeita de Isquemia Mesentérica Aguda (IMA) por embolia.
A isquemia mesentérica aguda (IMA) deve ser fortemente suspeitada em pacientes com dor abdominal súbita e intensa, desproporcional aos achados do exame físico, especialmente na presença de fibrilação atrial (FA). A FA é um fator de risco importante para a formação de êmbolos que podem ocluir as artérias mesentéricas, levando à isquemia intestinal e, se não tratada rapidamente, à necrose.
A isquemia mesentérica aguda (IMA) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia e necrose tecidual. A etiologia mais comum é a embolia arterial mesentérica superior, frequentemente originada de trombos cardíacos em pacientes com fibrilação atrial (FA). A alta mortalidade da IMA, que pode chegar a 60-80%, é em grande parte devido ao atraso no diagnóstico e tratamento, tornando o reconhecimento precoce crucial. Clinicamente, a IMA se manifesta com dor abdominal de início agudo e intensidade desproporcional aos achados do exame físico. O paciente pode apresentar abdome levemente doloroso à palpação, sem sinais claros de irritação peritoneal nas fases iniciais, e ruídos hidroaéreos diminuídos. A presença de fibrilação atrial na ausculta cardíaca é um forte indício etiológico, sugerindo uma embolia. A fisiopatologia envolve a oclusão vascular, que leva à hipóxia e dano celular intestinal, culminando em necrose se o fluxo não for restabelecido. O diagnóstico rápido é essencial e geralmente envolve a angiotomografia computadorizada (angio-TC) do abdome, que pode identificar a oclusão vascular e sinais de isquemia intestinal. O tratamento é emergencial e pode incluir revascularização cirúrgica ou endovascular, além de suporte clínico. Para residentes, a capacidade de correlacionar a dor abdominal aguda com fatores de risco como a FA e a suspeita de IMA é vital para salvar vidas, enfatizando a importância de uma anamnese e exame físico completos e a pronta solicitação de exames complementares adequados.
Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca congestiva, valvulopatias, aterosclerose generalizada, estados de hipercoagulabilidade, uso de cocaína e hipotensão grave. A fibrilação atrial é particularmente relevante devido ao risco de embolia arterial mesentérica.
A manifestação clássica é dor abdominal súbita, intensa e difusa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia, hematoquezia (em estágios avançados) e distensão abdominal. A presença de fibrilação atrial na ausculta cardíaca reforça a suspeita de etiologia embólica.
A angiotomografia computadorizada (angio-TC) é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de isquemia mesentérica aguda. Ela permite visualizar a oclusão vascular (trombo ou êmbolo), sinais de isquemia intestinal (espessamento da parede, pneumatose intestinal, gás na veia porta) e diferenciar as causas arteriais das venosas ou não oclusivas.
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