CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Um idoso de 78 anos, com histórico de fibrilação atrial, apresenta dor abdominal súbita e intensa. Exames laboratoriais mostram leucocitose e acidose láctica. Qual é a abordagem inicial mais indicada?
Dor abdominal intensa + Exame físico pobre + FA → Isquemia Mesentérica Aguda até que se prove o contrário.
A isquemia mesentérica aguda é uma emergência cirúrgica onde a dor é desproporcional ao exame físico. O diagnóstico padrão-ouro inicial é a angiotomografia.
A isquemia mesentérica aguda (IMA) representa uma das condições mais letais do abdome agudo, com mortalidade superior a 60%. A fisiopatologia envolve a interrupção abrupta do fluxo sanguíneo para o intestino delgado, levando rapidamente à necrose. O quadro clínico clássico envolve um paciente idoso, com comorbidades cardiovasculares (como FA ou IAM recente), que apresenta dor abdominal súbita e excruciante. O manejo exige alto índice de suspeição. A angiotomografia com contraste arterial é o exame de escolha por sua alta sensibilidade e especificidade, permitindo localizar a obstrução e avaliar a viabilidade das alças. O tratamento envolve estabilização hemodinâmica, anticoagulação plena (se não houver contraindicação) e intervenção cirúrgica ou endovascular imediata para revascularização e ressecção de segmentos inviáveis.
A causa mais comum é a embolia arterial, frequentemente originada de trombos atriais em pacientes com fibrilação atrial (FA). A artéria mesentérica superior é o local mais atingido devido ao seu ângulo de saída da aorta. Outras causas incluem trombose arterial (aterosclerose), trombose venosa mesentérica e isquemia não oclusiva (baixo fluxo).
Na fase inicial da isquemia mesentérica, a dor é visceral e intensa devido à hipóxia celular, mas ainda não há irritação peritoneal (peritonite), pois a necrose transmural não ocorreu. Portanto, o abdome permanece compressível e sem sinais de defesa, o que pode enganar o examinador menos atento.
A acidose láctica é um marcador de sofrimento tecidual e metabolismo anaeróbio. Sua presença, junto com leucocitose, sugere que a isquemia já pode estar evoluindo para necrose intestinal. No entanto, não deve ser esperada para indicar a angiotomografia, pois é um sinal tardio de gravidade.
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