Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Sinais de Alerta

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 65 anos, com histórico de fibrilação atrial e hipertensão arterial controlada, comparece à Unidade de Pronto-Atendimento relatando dor abdominal intensa, desproporcional às alterações do exame físico. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Abdome agudo inflamatório.
  2. B) Abdome agudo vascular isquêmico.
  3. C) Abdome agudo obstrutivo.
  4. D) Abdome agudo perfurativo.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita e intensa + exame físico pobre + Fibrilação Atrial = Isquemia Mesentérica Aguda até prova em contrário.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda (IMA) é uma emergência vascular caracterizada por dor abdominal severa e súbita, com pouca ou nenhuma sensibilidade à palpação nas fases iniciais. A fibrilação atrial é um fator de risco clássico para a forma embólica, a mais comum.

Contexto Educacional

O abdome agudo vascular isquêmico, ou isquemia mesentérica aguda (IMA), é uma emergência cirúrgica com alta mortalidade, exigindo diagnóstico e intervenção rápidos. A condição é caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia, necrose e perfuração. A causa mais comum é a embolia da artéria mesentérica superior, frequentemente originada de um trombo no átrio esquerdo em pacientes com fibrilação atrial. A apresentação clínica clássica é a 'dor desproporcional ao exame físico': o paciente relata uma dor abdominal excruciante, mas o abdome pode estar flácido, sem sinais de peritonite nas fases iniciais. Este é o sinal de alerta mais importante. Com a progressão para necrose transmural, surgem sinais de irritação peritoneal, acidose metabólica (especialmente lática) e sepse, indicando um prognóstico reservado. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes idosos com fatores de risco cardiovascular. O diagnóstico é confirmado pela angiotomografia de abdome, que é o padrão-ouro. O tratamento envolve a ressuscitação volêmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro e intervenção urgente para restaurar o fluxo sanguíneo, seja por via endovascular (trombólise, angioplastia) ou cirúrgica (embolectomia, revascularização). Frequentemente, é necessária a ressecção das alças intestinais já necrosadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para isquemia mesentérica aguda?

O principal sinal é dor abdominal súbita, intensa e difusa, que é desproporcional aos achados do exame físico (abdome flácido, pouco doloroso à palpação). Fatores de risco como fibrilação atrial, doença aterosclerótica avançada e idade aumentam a suspeita.

Qual o exame de imagem padrão-ouro para diagnosticar isquemia mesentérica?

A angiotomografia computadorizada (Angio-TC) de abdome é o exame de escolha. Ela permite visualizar o fluxo nas artérias mesentéricas, identificar oclusões (embólicas ou trombóticas) e avaliar sinais de sofrimento de alça, como pneumatose intestinal.

Quais as principais causas de isquemia mesentérica aguda?

As causas são divididas em oclusivas e não oclusivas. As oclusivas são as mais comuns, incluindo embolia arterial (principalmente de origem cardíaca, como na FA), trombose arterial (sobre placa aterosclerótica) e trombose venosa mesentérica. A forma não oclusiva ocorre em estados de baixo fluxo, como choque.

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