FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
A isquemia mesentérica aguda (IMA) é um quadro clínico potencialmente letal se não for diagnosticado e tratado de modo rápido e adequado. Com relação a esse tema, assinale a alternativa correta:
Isquemia mesentérica não obstrutiva → infusão de vasodilatadores (ex: papaverina) via cateterismo seletivo.
A isquemia mesentérica aguda pode ser oclusiva (embólica/trombótica) ou não oclusiva (vasoespasmo). Na forma não oclusiva, o tratamento foca na reversão do espasmo vascular com vasodilatadores locais.
A isquemia mesentérica aguda é uma emergência cirúrgica com alta mortalidade (60-80%). A etiologia mais comum é a embolia arterial (50%), seguida pela trombose arterial e isquemia não oclusiva. O diagnóstico precoce é o fator determinante para a sobrevida, antes que ocorra necrose intestinal irreversível. Laboratorialmente, o aumento de lactato, leucocitose e acidose metabólica são marcadores tardios de sofrimento tecidual. O tratamento envolve ressuscitação volêmica, anticoagulação plena (se não houver contraindicação) e revascularização (cirúrgica ou endovascular), além de laparotomia para ressecção de segmentos inviáveis.
A isquemia oclusiva decorre da obstrução física do fluxo sanguíneo, geralmente por embolia (frequentemente de origem cardíaca, como na fibrilação atrial) ou trombose (sobre placa aterosclerótica pré-existente). Já a isquemia não oclusiva (NOMI) resulta de vasoconstrição esplâncnica intensa, comum em pacientes críticos com baixo débito cardíaco, uso de vasopressores ou cocaína. O diagnóstico da NOMI é angiográfico, mostrando estreitamentos segmentares ('aspecto em rosário') sem oclusão fixa.
Nas fases iniciais da isquemia mesentérica, a mucosa intestinal sofre hipóxia severa, gerando dor visceral intensa e difusa. No entanto, como ainda não há irritação peritoneal (que ocorre apenas após a necrose transmural e perfuração), o abdome permanece flácido e sem sinais de peritonite ao exame físico. Essa dissociação entre a queixa de dor excruciante do paciente e um abdome 'calmo' é o sinal clínico mais característico da patologia.
Atualmente, a Angiotomografia (Angio-TC) de abdome com protocolo trifásico é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade (>90%) e rapidez, permitindo visualizar falhas de enchimento vascular, edema de alça e pneumatose intestinal. A angiografia convencional permanece como padrão-ouro diagnóstico e terapêutico em casos selecionados, especialmente na isquemia não oclusiva para infusão de vasodilatadores ou em intervenções endovasculares.
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