Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Conduta

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

A isquemia mesentérica aguda (IMA) é um quadro clínico potencialmente letal se não for diagnosticado e tratado de modo rápido e adequado. Com relação a esse tema, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A infusão local de vasodilatadores por meio de cateterismo seletivo da artéria mesentérica superior (MAS) tem papel importante em caso de isquemia mesentérica não obstrutiva.
  2. B) A etiologia mais prevalente, atualmente, é a trombose venosa mesentérica associada à hipertensão porta, sepse abdominal, estados de hipercoagulabilidade, ou traumatismo.
  3. C) Os pacientes com embolia arterial apresentam inicialmente dor abdominal típica, difusa e de início súbito, proporcional aos dados do exame clínico e que responde aos opioides.
  4. D) Os exames laboratoriais que corroboram o diagnóstico de IMA são: aumento no número de leucócitos, ácido láctico, amilase (80% dos casos) e creatinocinase (isoenzimas BB) correlacionado com infarto intestinal.
  5. E) A ultrassonografia com Doppler tem papel decisivo no diagnóstico de IMA; com esse exame, é possível investigar o fluxo sanguíneo nos vasos distais e a etiologia não obstrutiva da isquemia.

Pérola Clínica

Isquemia mesentérica não obstrutiva → infusão de vasodilatadores (ex: papaverina) via cateterismo seletivo.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda pode ser oclusiva (embólica/trombótica) ou não oclusiva (vasoespasmo). Na forma não oclusiva, o tratamento foca na reversão do espasmo vascular com vasodilatadores locais.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência cirúrgica com alta mortalidade (60-80%). A etiologia mais comum é a embolia arterial (50%), seguida pela trombose arterial e isquemia não oclusiva. O diagnóstico precoce é o fator determinante para a sobrevida, antes que ocorra necrose intestinal irreversível. Laboratorialmente, o aumento de lactato, leucocitose e acidose metabólica são marcadores tardios de sofrimento tecidual. O tratamento envolve ressuscitação volêmica, anticoagulação plena (se não houver contraindicação) e revascularização (cirúrgica ou endovascular), além de laparotomia para ressecção de segmentos inviáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre isquemia mesentérica oclusiva e não oclusiva?

A isquemia oclusiva decorre da obstrução física do fluxo sanguíneo, geralmente por embolia (frequentemente de origem cardíaca, como na fibrilação atrial) ou trombose (sobre placa aterosclerótica pré-existente). Já a isquemia não oclusiva (NOMI) resulta de vasoconstrição esplâncnica intensa, comum em pacientes críticos com baixo débito cardíaco, uso de vasopressores ou cocaína. O diagnóstico da NOMI é angiográfico, mostrando estreitamentos segmentares ('aspecto em rosário') sem oclusão fixa.

Por que a dor é descrita como desproporcional ao exame físico?

Nas fases iniciais da isquemia mesentérica, a mucosa intestinal sofre hipóxia severa, gerando dor visceral intensa e difusa. No entanto, como ainda não há irritação peritoneal (que ocorre apenas após a necrose transmural e perfuração), o abdome permanece flácido e sem sinais de peritonite ao exame físico. Essa dissociação entre a queixa de dor excruciante do paciente e um abdome 'calmo' é o sinal clínico mais característico da patologia.

Qual o padrão-ouro para o diagnóstico?

Atualmente, a Angiotomografia (Angio-TC) de abdome com protocolo trifásico é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade (>90%) e rapidez, permitindo visualizar falhas de enchimento vascular, edema de alça e pneumatose intestinal. A angiografia convencional permanece como padrão-ouro diagnóstico e terapêutico em casos selecionados, especialmente na isquemia não oclusiva para infusão de vasodilatadores ou em intervenções endovasculares.

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