Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Conduta em Idosos

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Paciente de 60 anos, tabagista, chagásico e cardiopata, vem ao pronto atendimento com dor abdominal difusa e intensa de início há 12 horas associada à parada de eliminação flatos e hiporexia. Ao exame físico, apresenta abdome flácido e depressível, algo doloroso à palpação profunda, porém sem sinais de irritação peritoneal.A partir do caso apresentado, qual é a conduta ideal?

Alternativas

  1. A) Administrar corticoide associado a antibióticos e mesalazina oral.
  2. B) Realizar uma laparotomia exploradora.
  3. C) Proceder SNG aberta e hidratação com internação em unidade de terapia intensiva.
  4. D) Solicitar uma angiotomografia de abdome total.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa desproporcional em paciente com fatores de risco vascular → suspeitar isquemia mesentérica.

Resumo-Chave

A dor abdominal intensa e difusa, desproporcional aos achados do exame físico, em um paciente idoso com múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, cardiopatia, Chagas), sugere fortemente isquemia mesentérica aguda. A angiotomografia é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e identificar a causa vascular.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela redução súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia e necrose. É mais comum em idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como doença aterosclerótica, fibrilação atrial (fonte de êmbolos) e insuficiência cardíaca. A doença de Chagas, por sua vez, pode causar cardiomiopatia e arritmias, aumentando o risco de eventos tromboembólicos. A fisiopatologia envolve a oclusão (embólica ou trombótica) ou o baixo fluxo dos vasos mesentéricos. O quadro clínico clássico é de dor abdominal intensa e difusa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico, que pode ser benigno nas fases iniciais. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia e parada de eliminação de flatos e fezes. A suspeita clínica é fundamental, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta drasticamente a mortalidade. A conduta ideal diante da suspeita de isquemia mesentérica é a realização imediata de uma angiotomografia de abdome total. Este exame permite visualizar a circulação mesentérica, identificar a causa da isquemia (êmbolo, trombo, baixo fluxo) e avaliar a extensão do comprometimento intestinal. O tratamento definitivo pode envolver revascularização cirúrgica ou endovascular, além de suporte clínico intensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca, aterosclerose generalizada, tabagismo, vasculites e estados de hipercoagulabilidade.

Por que a dor na isquemia mesentérica é frequentemente desproporcional aos achados do exame físico?

A dor é desproporcional porque a isquemia afeta principalmente as vísceras, que têm inervação visceral menos precisa, e os sinais de irritação peritoneal só aparecem tardiamente, quando já há necrose transmural.

Qual o papel da angiotomografia no diagnóstico da isquemia mesentérica?

A angiotomografia de abdome total é o exame de escolha para diagnosticar a isquemia mesentérica, pois permite visualizar diretamente os vasos mesentéricos, identificar trombos, êmbolos ou estenoses, e avaliar a perfusão intestinal.

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