Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025
Um paciente do sexo masculino, 74 anos, diabético e com histórico de doença arterial periférica, apresenta dor intensa e distensão abdominal. Ele relata náuseas e vômitos há 24 horas. A tomografia computadorizada do abdome mostra dilatação de alças intestinais com sinais de estrangulamento e ausência de fluxo mesentérico na artéria mesentérica superior. A lactatemia é de 5 mmol/L (valor de referência: < 2 mmol/L). Qual é a conduta imediata mais apropriada para este paciente?
Isquemia mesentérica aguda com sinais de estrangulamento/infarto e lactato ↑ → Laparotomia exploradora urgente.
Pacientes com isquemia mesentérica aguda que apresentam sinais de sofrimento intestinal grave, como estrangulamento ou infarto (evidenciados por TC e lactatemia elevada), necessitam de laparotomia exploradora emergencial para revascularização e ressecção de alças inviáveis.
A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia e, se não tratada rapidamente, ao infarto intestinal. É mais comum em idosos e pacientes com comorbidades como doença arterial periférica, diabetes e fibrilação atrial. A dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico é um sinal clássico. O diagnóstico é desafiador, mas a suspeita clínica é fundamental. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha, podendo evidenciar a oclusão vascular, dilatação de alças, espessamento da parede intestinal e, em casos avançados, pneumatose intestinal ou gás na veia porta. A lactatemia elevada é um marcador bioquímico de isquemia tecidual e um forte indicador de infarto intestinal. A conduta na isquemia mesentérica aguda depende da presença de sinais de infarto intestinal. Se houver evidência de estrangulamento ou infarto (clínica, imagem, lactato elevado), a laparotomia exploradora emergencial é imperativa. O objetivo é a revascularização da artéria mesentérica superior (se possível) e a ressecção das alças intestinais inviáveis. A demora na intervenção cirúrgica está associada a uma alta taxa de mortalidade. Em casos selecionados, sem sinais de infarto, pode-se considerar abordagens endovasculares ou tratamento conservador com anticoagulantes.
Idade avançada, fibrilação atrial, doença arterial periférica, diabetes, insuficiência cardíaca e estados de hipercoagulabilidade são fatores de risco importantes para isquemia mesentérica aguda.
A elevação da lactatemia indica isquemia tecidual e metabolismo anaeróbico, sendo um forte preditor de infarto intestinal e gravidade na isquemia mesentérica aguda, guiando a necessidade de intervenção urgente.
A trombose ocorre in situ, geralmente em artérias já ateroscleróticas, enquanto a embolia é causada por um êmbolo que se desloca de outro local (ex: coração) e oclui a artéria mesentérica, sendo a embolia mais comum.
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