Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Tratamento

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 69 anos de idade, é trazida por familiares ao Pronto Socorro com queixa de dor abdominal, de forte intensidade, há uma hora. A paciente relata início súbito da dor, associada à náuseas, vômitos e hiporexia. A filha refere que a paciente é portadora de fibrilação atrial, hipertensão arterial e diabetes mellitus, fazendo uso regular das medicações. Ao exame, bom estado geral, FC: 108bpm, PA: 128x86mmHg, FR: 22ipm; ausculta respiratória: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios; ausculta cardíaca: bulhas arrítmicas, normofonéticas e com sopro sistólico em foco aórtico; FC: abdome um pouco distendido, com ruídos hidroaéreos diminuídos, dor à palpação difusa, com descompressão brusca negativa.De acordo com o caso descrito, Indique o tratamento mais adequado que deve ser instituído.

Alternativas

  1. A) Internação em unidade de terapia intensiva e suporte clínico.
  2. B) Embolectomia arterial com cateter de Fogarty.
  3. C) Apendicectomia por videolaparoscopia.
  4. D) Retossigmoidectomia por laparotomia.

Pérola Clínica

Paciente idosa com FA e dor abdominal súbita e intensa, desproporcional ao exame físico, com RHA diminuídos → Isquemia mesentérica aguda (embolia).

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda, especialmente em pacientes com fibrilação atrial, deve ser fortemente suspeitada em casos de dor abdominal súbita e intensa, desproporcional aos achados do exame físico. A embolectomia é o tratamento de escolha para embolia arterial mesentérica.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino. É crucial o diagnóstico precoce e a intervenção rápida para salvar a vida do paciente e preservar a viabilidade intestinal. A etiologia mais comum é a embolia arterial mesentérica, frequentemente originada de trombos cardíacos em pacientes com fibrilação atrial (FA), como no caso apresentado. O quadro clínico típico é de dor abdominal súbita, intensa e desproporcional aos achados do exame físico, que inicialmente pode ser benigno (abdome flácido, sem sinais de irritação peritoneal). Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia e sangramento gastrointestinal. A presença de FA na história clínica é um forte indício de etiologia embólica. A taquicardia e a distensão abdominal com ruídos hidroaéreos diminuídos são achados comuns. O diagnóstico é suspeito clinicamente e confirmado por exames de imagem, sendo a angiotomografia de abdome o padrão-ouro. O tratamento é uma emergência cirúrgica. Para a embolia arterial mesentérica, a embolectomia com cateter de Fogarty é a abordagem preferencial para restaurar o fluxo sanguíneo. Em casos de trombose arterial ou venosa mesentérica, outras abordagens como revascularização cirúrgica, angioplastia com stent ou uso de trombolíticos podem ser consideradas. A falha no tratamento precoce leva à necrose intestinal, peritonite e sepse, com prognóstico sombrio.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, valvulopatias, insuficiência cardíaca, aterosclerose generalizada e estados de hipercoagulabilidade.

Por que a dor é desproporcional ao exame físico na isquemia mesentérica aguda?

A dor é intensa devido à isquemia visceral, mas os sinais de irritação peritoneal (como descompressão brusca positiva) podem estar ausentes nas fases iniciais, pois a necrose intestinal ainda não se estabeleceu.

Qual o papel da embolectomia com cateter de Fogarty no tratamento?

A embolectomia com cateter de Fogarty é o tratamento de escolha para a embolia arterial mesentérica, visando a remoção do êmbolo e a restauração rápida do fluxo sanguíneo para evitar a necrose intestinal.

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