UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Paciente masculino de 75 anos, refere há aproximadamente 6 horas, início de dor súbita em região epigástrica com piora gradativa associada a náuseas e vômitos biliosos. Apresenta antecedente de tabagismo desde a juventude e já apresentou dois episódios prévios de infarto agudo do miocárdio. Relata ser hipertenso, porém não faz uso de medicações de uso contínuo. Ao exame, encontra-se curvado na poltrona de atendimento com o abdome distendido, doloroso à palpação difusa sem sinais de peritonite.Em relação ao caso apresentado, assinale a alternativa correta.
Isquemia mesentérica: dor abdominal desproporcional ao exame físico; AngioTC é padrão ouro.
A isquemia mesentérica é uma condição grave com dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico inicial, especialmente em pacientes com fatores de risco cardiovasculares. A distinção entre embolia e trombose é crucial para o manejo, sendo a angiotomografia o exame de escolha.
A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela redução crítica do fluxo sanguíneo para o intestino. É uma causa importante de abdome agudo vascular, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Afeta principalmente idosos com comorbidades cardiovasculares. A apresentação clínica clássica é dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, que inicialmente pode ser benigno. A etiologia pode ser embólica (geralmente por FA), trombótica (aterosclerose) ou não oclusiva (estados de baixo fluxo). A embolia da artéria mesentérica superior (AMS) tende a causar isquemia mais distal e segmentar, enquanto a trombose da AMS pode levar a um acometimento mais extenso do intestino delgado. O diagnóstico precoce é crucial e a angiotomografia de abdome com contraste é o exame de escolha. O tratamento varia conforme a etiologia e a presença de necrose, podendo incluir revascularização cirúrgica ou endovascular, ou anticoagulação em casos de trombose venosa mesentérica sem necrose. A suspeita clínica é o primeiro passo para um desfecho favorável.
Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca, aterosclerose generalizada, estados de hipercoagulabilidade e hipotensão grave, como visto em pacientes idosos com histórico cardiovascular.
A dor é desproporcional porque a isquemia inicial afeta a inervação visceral, causando dor intensa sem irritação peritoneal. Sinais de peritonismo só surgem tardiamente, quando há necrose e perfuração intestinal.
A angiotomografia é o exame padrão ouro para o diagnóstico, permitindo visualizar a oclusão vascular (arterial ou venosa), identificar sinais de isquemia intestinal e diferenciar entre embolia e trombose, guiando a conduta terapêutica.
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