Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Sinais de Alerta

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 58 anos de idade, história recente de infarto do miocárdio foi à Emergência com queixa de dor abdominal súbita no andar superior do abdome de início há 3 dias, negando febre, vômitos e alteração do ritmo intestinal. Ao exame físico, notamos paciente hipocorado +/4+, afebril, PA.: 90 x 60 mmHg, FC.: 120 bpm, FR.: 28 irpm. Exame pulmonar sem alterações. Ritmo cardíaco irregular, sem sopros. Abdome, flácido, atípico, com peristalse débil, doloroso difusamente à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais evidenciando leucocitose, acidose metabólica com lactato elevado. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Úlcera gástrica perfurada
  2. B) Pancreatite aguda
  3. C) Colecistite aguda
  4. D) Isquemia mesentérica

Pérola Clínica

Isquemia mesentérica: dor abdominal súbita + histórico cardiovascular + acidose metabólica + lactato elevado.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência grave, especialmente em pacientes com histórico de doença cardiovascular. A dor abdominal súbita e intensa, desproporcional aos achados do exame físico, associada a sinais de choque e acidose metabólica com lactato elevado, é altamente sugestiva do diagnóstico.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e de alta mortalidade, caracterizada pela redução crítica do fluxo sanguíneo para o intestino. É mais comum em idosos e pacientes com comorbidades cardiovasculares, como fibrilação atrial, infarto do miocárdio recente e aterosclerose. A etiologia pode ser embólica (mais comum, geralmente de origem cardíaca), trombótica (aterosclerose mesentérica preexistente) ou não oclusiva (vasoconstrição esplâncnica em estados de baixo débito cardíaco). A suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico precoce e melhora do prognóstico. A apresentação clínica clássica é dor abdominal súbita e intensa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico inicial. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia e, em estágios avançados, sinais de irritação peritoneal. Laboratorialmente, é comum encontrar leucocitose, acidose metabólica com lactato elevado e aumento de amilase/lipase. A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa (oclusiva ou não oclusiva) e avaliar a extensão da isquemia. O tratamento é uma emergência médico-cirúrgica. Pacientes com isquemia mesentérica oclusiva geralmente necessitam de revascularização cirúrgica ou endovascular urgente para restaurar o fluxo sanguíneo e ressecar segmentos intestinais necróticos. Em casos de isquemia não oclusiva, o tratamento foca na otimização hemodinâmica e uso de vasodilatadores. O prognóstico é reservado, com altas taxas de morbimortalidade, especialmente se o diagnóstico e tratamento forem tardios.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, infarto do miocárdio recente, doença arterial periférica, insuficiência cardíaca, valvopatias, estados de hipercoagulabilidade e hipotensão prolongada. O histórico de infarto do miocárdio é particularmente relevante.

Por que a dor abdominal na isquemia mesentérica é frequentemente desproporcional ao exame físico?

A dor é desproporcional porque a isquemia inicial afeta a inervação visceral, causando dor intensa sem irritação peritoneal evidente. Sinais de irritação peritoneal só surgem em estágios avançados, quando já há necrose intestinal e perfuração.

Qual a importância do lactato elevado na suspeita de isquemia mesentérica?

O lactato elevado é um marcador de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, sendo um achado laboratorial crucial na isquemia mesentérica. Ele reflete a sofrimento intestinal e a gravidade da condição, indicando a necessidade de investigação urgente.

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