Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Conduta Urgente

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 68a, procura o hospital por dor súbita de forte intensidade em todo abdome há 2 horas. Relata dor abdominal periumbilical de moderada intensidade pós prandial há 2 meses. Antecedentes pessoais: tabagismo 50 maços/ano, diabetes mellitus há 28 anos e stent em coronária há 2 anos. Exame físico: PA= 100x70 mmHg, FC= 112 bpm, FR= 20 irpm, Oximetria de pulso (ar ambiente)= 93%; Pulmão: murmúrio vesicular diminuído globalmente com sibilos esparsos; Abdome: plano, flácido, ausência de sopro e ruídos hidroaéreos, dor a palpação profunda e sem massa, ausência de irritação peritoneal. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de abdome superior.
  2. B) Angiotomografia de tórax e abdome.
  3. C) Radiograma de abdome agudo.
  4. D) Ecocardiograma com doppler colorido.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita intensa + fatores de risco vascular + dor pós-prandial prévia = suspeita de isquemia mesentérica aguda. Conduta: Angiotomografia.

Resumo-Chave

O paciente apresenta dor abdominal súbita e intensa em um contexto de múltiplos fatores de risco cardiovasculares (tabagismo, DM, DAC com stent), além de histórico de dor pós-prandial (angina mesentérica). Essa combinação é altamente sugestiva de isquemia mesentérica aguda. A angiotomografia é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e identificar a causa vascular.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência abdominal grave, com alta mortalidade, que resulta da interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino. É mais comum em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovasculares, como tabagismo, diabetes mellitus e doença arterial coronariana, como no caso apresentado. A história de dor pós-prandial (angina mesentérica) por meses sugere uma doença vascular mesentérica crônica que culminou em um evento agudo. A apresentação clínica típica é de dor abdominal súbita, intensa e difusa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico inicial, que pode ser benigno. No entanto, a progressão para necrose intestinal leva a sinais de irritação peritoneal. A instabilidade hemodinâmica (PA 100x70 mmHg, FC 112 bpm) reforça a gravidade do quadro. Diante da alta suspeita de isquemia mesentérica aguda, a angiotomografia de tórax e abdome é o exame de imagem de escolha. Ela permite a visualização direta dos vasos mesentéricos, identificando a oclusão arterial ou venosa, e avalia a extensão do comprometimento intestinal. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o tempo é crítico para a intervenção e salvamento do intestino, seja por via endovascular ou cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, fibrilação atrial, doença arterial coronariana, doença vascular periférica, insuficiência cardíaca, tabagismo e diabetes mellitus.

Como a isquemia mesentérica aguda se manifesta clinicamente?

Caracteriza-se por dor abdominal súbita e intensa, desproporcional aos achados do exame físico. Pode haver histórico de dor pós-prandial (angina mesentérica) e sinais de instabilidade hemodinâmica.

Por que a angiotomografia é o exame de escolha para isquemia mesentérica?

A angiotomografia de abdome permite visualizar as artérias mesentéricas, identificar trombos, embolias ou estenoses, e avaliar a perfusão intestinal, sendo crucial para o diagnóstico rápido e preciso.

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