Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Manejo Urgente

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 79 anos apresenta quadro agudo de intensa dor abdominal, náuseas e diarreia há 1 dia, com piora progressiva. O histórico é relevante para doença arterial coronariana e acidente vascular cerebral isquêmico. A medicação atual é: clopidogrel (75 mg/dia); atorvastatina (40 mg/dia); bisoprolol (10 mg/dia); lisinopril (10 mg/dia). Ao exame físico, o paciente relata dor abdominal, parece angustiado, mas o abdômen está flácido, com ruídos hidroaéreos presentes, e apenas leve dor abdominal central. O eletrocardiograma mostra fibrilação atrial com frequência de 80 a 95 bpm. Os exames de sangue são normais, exceto pela discreta leucocitose e elevação de proteína C reativa e desidrogenase lática. A investigação abdominal de maior utilidade, nesse momento, é

Alternativas

  1. A) angiotomografia com contraste.
  2. B) colonoscopia de urgência.
  3. C) tomografia sem contraste.
  4. D) ultrassonografia.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico em idoso com fatores de risco cardiovascular (FA) → Suspeitar isquemia mesentérica aguda = Angiotomografia com contraste.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, especialmente na presença de fatores de risco para embolia (como fibrilação atrial). A angiotomografia com contraste é o exame de escolha para visualizar a vasculatura mesentérica e confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência abdominal grave com alta mortalidade, especialmente se o diagnóstico e tratamento forem tardios. É crucial suspeitar dessa condição em pacientes idosos com dor abdominal intensa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico, e com histórico de doenças cardiovasculares, como fibrilação atrial, que predispõe à embolia arterial mesentérica. A apresentação clínica pode ser insidiosa, com sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos e diarreia, dificultando o diagnóstico precoce. Marcadores laboratoriais como leucocitose, elevação de LDH e PCR podem estar presentes, mas não são específicos. A chave para o diagnóstico é a alta suspeição clínica e a pronta realização de exames de imagem. A angiotomografia com contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da oclusão vascular (arterial ou venosa) e a avaliação da perfusão intestinal. O tratamento é uma emergência médico-cirúrgica, podendo envolver revascularização cirúrgica ou endovascular, além de suporte clínico intensivo. O atraso no diagnóstico pode levar a necrose intestinal, sepse e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da isquemia mesentérica aguda?

A isquemia mesentérica aguda classicamente se apresenta com dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, que pode ser relativamente benigno. Náuseas, vômitos, diarreia e sangramento gastrointestinal também podem ocorrer.

Qual o exame de imagem mais útil para diagnosticar isquemia mesentérica aguda?

A angiotomografia computadorizada (angio-TC) com contraste é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de isquemia mesentérica aguda, pois permite visualizar diretamente a oclusão vascular e a extensão da isquemia intestinal.

Quais fatores de risco aumentam a probabilidade de isquemia mesentérica aguda?

Fatores de risco incluem fibrilação atrial (principal causa de embolia arterial mesentérica), doença aterosclerótica generalizada, insuficiência cardíaca, hipotensão, uso de vasopressores e estados de hipercoagulabilidade.

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